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Estudante norte-americano detido na Coreia do Norte diz que furtou "slogan político"

Um estudante norte-americano detido na Coreia do Norte admitiu ter furtado material de propaganda a mando de uma igreja metodista dos EUA e com o incentivo de uma sociedade de universidade secreta, informou hoje a imprensa estatal.

Reuters

A agência official norte-coreana KCNA afirmou que Otto Frederick Warmbier, que foi detido em janeiro quando se preparava para deixar o país, deu hoje "uma entrevista" aos jornalistas, incluindo estrangeiros, em Pyongyang.

Num comunicado citado pela KCNA, o jovem de 21 anos, da Universidade de Virginia, EUA, disse que retirou um cartaz político de uma zona restrita apenas a funcionários de um hotel de Pyongyang, usado pelo seu grupo de excursão.

Num vídeo distribuído pela CNN, Warmbier afirma ter cometido "o pior erro" da sua vida e pede para ser libertado.

Segundo a KCNA, Warmbier afirmou que um membro da Friendship United Methodist Church, nos Estados Unidos, lhe pediu para furtar o slogan político que pretendia como "troféu".

Esse membro -- a mãe de um amigo -- ter-lhe-á prometido um carro usado no valor de dez mil dólares se fosse bem-sucedido na sua missão, refere a agência estatal norte-coreana.

"O objetivo da minha tarefa era prejudicar a motivação e a ética laboral do povo coreano. Era um objetivo muito tolo", afirmou, segundo a KCNA.

Os estrangeiros detidos na Coreia do Norte são frequentemente obrigados a fazer um reconhecimento público, seguindo um 'guião', de que fizeram algo de errado, como um primeiro passo para uma eventual libertação.

O material de propaganda, exaltando as conquistas do país e os seus líderes e encorajando os cidadãos a trabalharem duro e a demonstrarem a sua lealdade, encontram-se em todo o lado na Coreia do Norte.

Podem ser vistos nas ruas e perto dos edifícios públicos, bem como de cada posto de trabalho.

Segundo a KCNA, o slogan removido por Warmbier tinha como objetivo inspirar "o amor do povo coreano pelo seu sistema".

No anúncio inicial da detenção de Warmbier, a Coreia do Norte afirmou estar envolvida num "ato hostil" com a conivência da administração norte-americana.

A detenção de Warmbier surge numa altura particularmente sensível, já que os Estados Unidos assumiram a liderança dos esforços para garantir a aplicação de duras sanções internacionais à Coreia do Norte devido ao seu recente teste nuclear.

De acordo com a KCNA, Warmbier disse ter sido encorajado na sua missão pela secreta "sociedade Z" da Universidade de Virginia, a qual lhe prometeu a adesão como membro se fosse bem-sucedido.

Segundo a revista da universidade, a sociedade é conhecida pelos seus esforços filantrópicos, realiza inúmeros jantares honorários e atribuiu prémios académicos.

"Não há dúvida de que a CIA sabe do incentivo da 'sociedade Z' ao meu crime", afirmou Warmbier, citado pela agência KCNA.

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