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ONU diz que República Centro-Africana atravessa "crise alimentar extrema"

A República Centro-Africana atravessa uma "crise alimentar extrema", com metade da população a passar fome e uma diminuição para metade da produção agrícola, após três anos de conflito, alertou hoje a ONU.

Bangui, capital da República Centro-Africana.

Bangui, capital da República Centro-Africana.

© Siegfried Modola / Reuters

De acordo com um relatório do Programa Alimentar Mundial (PAM) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a produção agrícola registou, no ano passado, uma quebra de 54% em relação aos níveis anteriores a março de 2013, data do golpe de Estado na antiga colónia francesa.

A produção subiu 10% em 2014, o que se deveu em grande parta à colheita de mandioca. A colheita de cereais desceu 70% relativamente aos níveis anteriores à crise.

"A situação é extrema. Metade da população tem fome", disse Bienvenu Djossa, diretor regional do PAM na República Centro-Africana.

O conflito no país levou um milhão de pessoas a abandonar as suas casas, num país de menos de cinco milhões de habitantes, onde 75% dependem da agricultura para sobreviver.

Devido à guerra, o número de cabeças de gado diminuiu para quase metade e o número de cabras e ovelhas para mais de metade, disseram as duas agências da ONU.

A pesca nos lagos e rios deixou de ser regular, o que resultou numa quebra de 40% nos resultados desde o início da crise e num aumento de 70% dos preços.

Outras importantes fontes de proteína registaram fortes aumentos dos preços, com a farinha de sementes a subir 74% e a carne a custar quase duas vezes mais do que antes da crise.

A FAO afirmou ter fornecido, no ano passado, 170.900 agregados familiares com sementes e ferramentas, o que abrangeu cerca de 850 mil pessoas. O PAM apoiou a operação, com a entrega de rações de alimentos a mais de 65 mil famílias agricultoras para que as sementes excedentárias fossem usadas para cultivo e não para alimentação.

Ao mesmo tempo, o PAM garantiu refeições escolares e assistência alimentar de emergência para cerca de 900 mil pessoas.

As duas agências disseram que iam precisar de mais fundos dos Estados doadores para continuar o seu trabalho durante este ano.

A FAO e o PAM afirmaram precisar 175 milhões de dólares para responder às necessidades de emergência de 1,4 milhões de pessoas até ao fim de julho na República Centro-Africana e países vizinhos, só tendo garantido até agora metade do montante necessário.

A República Centro-Africana é palco de violências inter-religiosas desde que o presidente François Bozizé foi afastado do poder, em março de 2013, por uma coligação predominantemente muçulmana, a Séléka.

Desde o início da intervenção francesa no país - a operação 'Sangaris' foi lançada em dezembro seguinte -, as violências entre as milícias cristãs "antibalaka" (antimachete, em língua sago) e a Séléka multiplicaram-se, levando a crise do golpe de Estado a uma "crise inter-religiosa".

Lusa

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