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Retiradas acusações contra suspeito do atentado de Omagh, Irlanda do Norte

Um tribunal britânico retirou hoje todas as acusações contra Seamus Daly, o único suspeito do atentado de Omagh, que em 1998 matou 29 pessoas na Irlanda do Norte, por falta de testemunhas credíveis.

reuters

Daly, um pedreiro atualmente com 45 anos, foi detido e acusado em 2014 pelo ataque à bomba, considerado o mais sangrento cometido pelo "IRA Verdadeiro", uma fação do extinto Exército Republicano Irlandês (IRA) oposta ao processo de paz.

Até hoje, ninguém foi condenado judicialmente pelo atentado, que também provocou ferimentos em 220 pessoas.

Em 2009, num processo civil movido pelas famílias das vítimas, o Supremo Tribunal de Belfast decidiu pela responsabilidade civil de Daly e outros três homens, condenando-os ao pagamento de uma indemnização de 1,6 milhões de libras (2,1 milhões de euros).

Seamus Daly, detido desde 2014 numa prisão de alta segurança da província semiautónoma britânica, negou o seu envolvimento no atentado.

"É muito doloroso, mas com os elementos de prova que ouvimos, não gostava de ver ninguém ser condenado", disse à BBC Michael Gallagher, cujo filho Aiden, de 21 anos, foi uma das vítimas mortais.

"Sinto que se perdeu uma oportunidade. Nunca houve vontade política de encontrar os responsáveis", prosseguiu, acrescentando esperar que uma investigação pública permita chegar à verdade.

As circunstâncias do atentado continuam a suscitar dúvidas. Segundo os investigadores, o alvo inicial dos autores era o tribunal de Omagh, mas por não terem conseguido estacionar, acabaram por deixar o carro, armadilhado com 225 quilos de explosivos, numa rua comercial da cidade, num sábado à tarde de agosto.

Duas chamadas anónimas, com informações contraditórias, levaram a polícia a afastar as pessoas da zona do tribunal, concentrando-as precisamente na rua comercial, colocando-as assim involuntariamente nas proximidades do automóvel armadilhado.

A explosão foi tão forte que os corpos de algumas vítimas nunca foram recuperados.

O atentado, que matou nomeadamente uma grávida de gémeos e dois turistas espanhóis, foi condenado por todos os partidos políticos, incluindo o Sinn Fein, na altura braço político do IRA.

O ataque foi também considerado um teste aos Acordos de paz de Sexta-Feira Santa, assinados quatro meses antes.

Cerca de 3.500 pessoas morreram nas três décadas de violência na Irlanda do Norte entre protestantes unionistas, a favor da manutenção da união com a Grã-Bretanha, e os católicos republicanos, partidários de uma Irlanda unificada.

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