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Beijo na boca de Pablo Iglesias a deputado marca votação no Congresso espanhol

Um beijo na boca do líder do Podemos, Pablo Iglesias, a um dos seus dirigentes, em pleno debate de votação de investidura no Congresso dos Deputados, constituiu hoje mais um episódio da nova política espanhola que entra no parlamento.

LOWER HOUSE OF SPANISH PARLIAMENT/HANDOUT

Já acostumados a deputados sem gravata, em mangas de camisa, de "rasta", homens de cabelos compridos, mochilas em vez de pastas e deputadas de bebé ao colo, os espanhóis mais conservadores viram hoje no Congresso mais um exemplo das "novas formas de estar na política".

A frase pertence ao Podemos, de Pablo Iglesias, que hoje surpreendeu ao dar um beijo na boca ao deputado Xavier Domenech, de uma das suas formações regionais (o En Comú Podem, da Catalunha).

Tudo aconteceu após a intervenção de Domenech, e quando este descia da tribuna, Iglesias abraçou o seu dirigente (o En Comú Podem concorreu às eleições como "marca branca" do Podemos na Catalunha).

O Podemos - estreante no Congresso com 69 deputados (contando as formações regionais) já tinha surpreendido o parlamento espanhol em várias ocasiões. Na sessão de abertura da legislatura, a deputada Carolina Bescansa sentou-se na bancada com o pequeno Diego, o seu filho de poucos meses nos braços.

O bebé passou de braços em braços, de Iglesias, passando pelo seu "número dois", Íñigo Errejón, e um deputado mais afoito até voto em Diego (um voto nulo) quando foi altura de cada um escrever o nome de quem queria para presidente da Mesa do Congresso.

Atrás e ao lado de Bescansa sentavam-se deputados sem gravata, de mangas arregaçadas, de cabelos masculinos compridos apanhados em "rabo de cavalo", deputadas de 't-shirt' com dizeres como "Working Class Girl" e mesmo a primeira deputada afro-espanhola, originária da Guiné Equatorial.

A "nova forma de fazer política" estendeu-se hoje às intervenções do líder do Podemos, que chegou a pedir ao socialista Pedro Sánchez que lhe respondesse "olhando-o nos olhos e sem ler das cábulas preparadas pelos seus assessores".

"Eu gosto de responder ao que o adversário me perguntou antes", disse Pablo Iglesias, argumentando que as "pessoas na rua" falam de maneira diferente dos políticos, nos quais - também disse - "raramente se reveem".

Noutro episódio do debate de hoje, Iglesias foi interrompido por apupos do grupo parlamentar socialista e ripostou que "a velha política" poderia "aprender uma coisa ou duas sobre respeito de quem anda em mangas de camisa e usa o cabelo comprido".

As "novas formas" - o presidente da Mesa chegou a cometer o deslize de tratar Iglesias por "tu" em vez da tradicional "sua senhoria" ou "usted" - deram lugar, no que toca a votações, a resultado esperados, mas invulgares.

A candidatura do socialista Pedro Sánchez para presidente do Governo foi apoiada pelo centro-direita (Ciudadanos) e a direita tradicional, o PP de Mariano Rajoy, obteve - no momento decisivo de hoje - votou ao lado do resto da esquerda: Podemos, Izquierda Unida, Esquerra Republicana Catalana, entre outras.

Há dois meses e meio a navegar em "águas desconhecidas" (com um PP que ganha, mas sem maioria absoluta e o PSOE a tentar repetir a "fórmula portuguesa"), os atores políticos parecem reservar cada sessão parlamentar para dar mais uma surpresa aos eleitores de Espanha.

Lusa

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