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Alepo arrisca-se a ser a próxima Srebrenica, local de massacre na Bósnia

A cidade síria de Alepo está em vias de ficar cercada pelas tropas de Damasco e arrisca-se, apesar do cessar-fogo, a sofrer o destino de Srebrenica, em 1995, alertaram hoje, em Washington, várias organizações não-governamentais.

As 4 mil famílias deslocadas são da zona norte de Alepo, como Hreitan, Banuiun ou Hian.

As 4 mil famílias deslocadas são da zona norte de Alepo, como Hreitan, Banuiun ou Hian.

© Abdalrhman Ismail / Reuters

Dirigentes das associações humanitárias Oxfam, Mercy Corps ou Syrian American Medical Society estiveram reunidas na capital dos EUA, quando o governo do Presidente Barack Obama é criticado por não ajudar suficientemente os refugiados sírios.

"Alepo vai ser a próxima Srebrenica", alertou Zaher Sahloul, da Sociedade Médica Sírio-Americana, referindo-se ao massacre de mais de oito mil bósnios, em julho de 1995, pelos sérvios da Bósnia.

Este médico sublinhou que "a única rota que liga a Turquia a Alepo tinha sido totalmente cortada pelo grupo curdo (sírio) aliado do governo" de Damasco. Acrescentou que receia "que as 300 mil pessoas que ainda estão em Alepo não sofram da mesma maneira que outros sofrem" na Síria.

Em comunicado, emitido em Amiens, no norte da França, o Presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, solicitaram hoje "à Rússia e ao regime sírio para que acabem imediatamente com os ataques aos grupos da oposição moderados" e que suspendam a sua "marcha sobre Alepo".

Aquelas organizações admitiram que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 27 de fevereiro, os ataques contras civis baixaram de forma clara, mas o exército sírio continua a bloquear as colunas de transporte com ajuda humanitária.

"Ontem (quarta-feira) houve cinco ataques aéreos à entrada de Alepo", informou Neal Keny-Guyer, o presidente do Mercy Corps, que tem trabalhadores humanitários no terreno. Especificou que os combates prosseguem a 15 quilómetros da fronteira turca e que há famílias refugiadas em grutas.

Sahloul, que acabou de chegar da Síria, afirmou que "o regime e os russos procuram aproveitar a situação para dominar as regiões que pretendem controlar, seja a norte de Alepo, Lattakia (a oeste) ou a norte de Homs", no centro.

A ONU falou de "progressos visíveis" desde a entrada em vigor do cessar-fogo, no sábado, na Síria, o que se traduziu por uma clara descida do número de civis mortos. Os EUA também se congratularam por a trégua estar a ser respeitada.

Lusa

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