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Militares moçambicanos feridos em confrontos com a Renamo

Militares das forças governamentais moçambicanas ficaram hoje feridos em confrontos com homens armados da Renamo em Honde, distrito de Barue, província de Manica, disseram hoje à Lusa vários moradores.

© Mike Hutchings / Reuters

Um contingente das forças estatais foi metralhado quando tentava aproximar-se de uma posição dos homens armados da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) aquartelados próximo da N7, a estrada que liga, no centro de Moçambique, os países interiores ao oceano indico.

"Eram quase 09:00 [menos duas em Portugal] quando os militares do Governo entraram em Honde, e foram até onde estão os militares da Renamo e começou a haver disparos. Muitos militares do governo saíram feridos e foram em direção a Chimoio", contou à Lusa por telefone um morador na região, sem precisar a quantidade de feridos ou a existência de baixas entre os guardas da oposição.

A Lusa testemunhou ao princípio da tarde a chegada de vários militares feridos ao hospital 1.º de Maio, na cidade de Chimoio, capital provincial de Manica, numa viatura da Unidade de Intervenção Rápida (UIR).

A Polícia em Manica não confirmou nem desmentiu à Lusa estes confrontos.

As forças estatais, contou um habitante local, enfrentaram os homens armados da Renamo, que têm estado a realizar revistas noturnas na N7, exigindo aos automobilistas que não circulem depois das três da madrugada.

"Os militares da Renamo fizeram-me parar, deviam ser 21:00 de quarta-feira, depois da ponte de Pungue sul, quando regressava de Catandica [Barue]. Vínhamos três pessoas, revistaram todo o carro, apalparam-nos os bolsos e depois disseram para seguir. Não levaram nada, só partiram o aparelho de som com uma coronhada", contou hoje à Lusa um taxista.

A ala militar da Renamo anunciou no princípio de fevereiro a pretensão de montar postos de controlo junto à N7 e N1, a principal estrada do país e onde foram montadas entretanto escoltas militares obrigatórias para viaturas civis, nos troços, Muxúnguè-Save e Nhamapadza-Caia.

Supostos homens armados da Renamo voltaram a metralhar as colunas escoltadas pelo exército nos últimos dois dias em ambos os troços, depois de quatro dias de pausa, contaram hoje à Lusa testemunhas e moradores.

"A coluna de quinta-feira de Nhamapadza-Caia sofreu uma baixa. Uma viatura foi incendiada e a coluna demorou muito a chegar a Caia" contou por telefone um motorista de um semicolectivo de passageiros, dando conta da possibilidade da ocorrência de mortos neste ataque.

Em declarações à imprensa, Daniel Macuacua, porta-voz da Polícia de Sofala, disse que não tinha conhecimento de ataques nos últimos três dias.

Moçambique vive uma das crises políticas e militares mais graves desde o Acordo Geral de Paz, assinado pelo Governo e Renamo em 1992 e que pôs termo a 16 anos de guerra civil, havendo registos de novos confrontos entres os mesmos protagonistas, num quadro de instabilidade agravado nas últimas semanas por ataques atribuídos à oposição na principal estrada do país.

A Renamo ameaça tomar pela força, a partir de março, as seis província no centro e norte de Moçambique onde reclama vitória nas últimas eleições gerais e cujos resultados não reconhece.

Apesar de o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, reiterarem a sua disponibilidade para o diálogo, o processo negocial entre o Governo e o principal partido de oposição continua bloqueado há vários meses.

Lusa

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