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Japão rejeita críticas da ONU sobre caso das escravas sexuais

O Japão rejeitou hoje o parecer de um comité da ONU que criticou Tóquio por não definir "compensações efetivas" para as escravas sexuais da II Guerra Mundial, no âmbito de um recente acordo com a Coreia do Sul.

© Yuya Shino / Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Fumio Kishida, lamentou hoje que as conclusões do Comité da ONU "não reflitam de maneira precisa" o conteúdo do acordo com Seul que, segundo recordou, foi recebido de forma positiva pela comunidade internacional.

A 28 de dezembro, Tóquio anunciou que vai canalizar mil milhões de ienes (cerca de oito milhões de euros) para um fundo de compensação, a ser gerido por Seul, para as mulheres sul-coreanas que foram vítimas de exploração sexual pelo exército imperial durante a II Guerra Mundial, conhecidas pelo eufemismo "mulheres de conforto".

A questão das "mulheres de conforto" dificultou, durante décadas, as relações do Japão com os países que colonizou ou invadiu.

Estima-se que até 200 mil mulheres tenham sido forçadas a prestar serviços sexuais a tropas nipónicas, a maioria delas na China e na península coreana, entre os anos 30 do século passado e o final da II Guerra Mundial, que terminou em 1945.

"O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, os Estados Unidos, o Reino Unido e muitos outros países receberam de forma positiva o acordo bilateral", insistiu o chefe da diplomacia nipónica, que considerou que as observações do painel "se distanciam muito da resposta internacional" que o pacto recebeu.

O Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Contra as Mulheres assinalou, esta segunda-feira, "a falta de compensações efetivas para as vítimas" no acordo de dezembro.

Nas suas observações, o painel também lamentou que Tóquio não tenha tido em conta anteriores recomendações do próprio comité que incluíam, por exemplo, a acusação judicial dos militares responsáveis por estas redes de prostituição forçada.

Lusa

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