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Milhares de obras banidas na China destruídas em Hong Kong

Pelo menos 45 mil publicações banidas na China, críticas do Partido Comunista, foram destruídas na esperança de facilitar a libertação do livreiro de Hong Kong Lee Bo, noticia hoje o jornal South China Morning Post.

Cinco livreiros ligados à Causeway Bay Books desapareceram no ano passado durante deslocações à China interior, em Hong Kong e na Tailândia. Meses depois, a China admitiu que todos estavam sob sua custódia.

Cinco livreiros ligados à Causeway Bay Books desapareceram no ano passado durante deslocações à China interior, em Hong Kong e na Tailândia. Meses depois, a China admitiu que todos estavam sob sua custódia.

© Tyrone Siu / Reuters

A informação é avançada por Woo Chih-wai, a última pessoa a trabalhar na livraria Causeway Bay Books.

Woo, juntamente com a mulher de Lee Bo, ofereceu-se para ajudar a gerir a livraria após o desaparecimento dos seus quatro associados no ano passado.

"Conheço Lee desde 1993 e decidi ajudá-lo no início de novembro, quando Gui Minhai desapareceu na Tailândia e depois três outros funcionários da loja desapareceram, um atrás do outro", contou Woo, de 75 anos, ao jornal de Hong Kong.

Autor de biografias de líderes chineses e residente de Hong Kong desde que chegou de Xangai, em 1979, Woo era a única pessoa a trabalhar com Lee na loja de Causeway Bay. A mulher do livreiro ajudava com os registos no armazém de Chan Wan.

Woo lembra o desaparecimento de Lee ao pormenor: "Era fim de tarde no dia 30 de dezembro. A minha mulher [que também trabalhava para a livraria] recebeu um telefonema a pedir 15 livros. Deixou o escritório às 17:40 com os livros. Às 17:45, Lee deixou o escritório com os livros que lhe pediram para entregar".

Woo e outra pessoa tinham um encontro marcado com Lee nessa tarde, mas o livreiro não apareceu. "Esperámos por Lee até às 20:25 e acabámos por cancelar o jantar, já que Lee não aparecia", recordou.

"Olhando para trás, tudo parece ter sido bem planeado e o objetivo era garantir que Lee estava sozinho quando fosse levado", disse ao jornal.

A editora Mighty Current tinha dois armazéns, com mais de 100 mil livros à data do desaparecimento de Lee.

"Havia 45 mil cópias no nono andar do armazém, que era uma unidade arrendada cujo contrato expirou no mês passado. O resto estava no escritório do décimo andar, detido pelos Lee", explicou.

Woo lembra-se de ver todas as cópias serem retiradas no novo andar até 25 de janeiro, por ordem da mulher de Lee, Sophie Choi Ka-ping.

"Estavam todos embalados e prontos a seguir para onde os compradores estavam. Mas depois a Sophie ordenou que fossem destruídos ao invés de vendidos", disse.

"Alguém lhe disse que desfazer-se dos livros ia ajudar a facilitar a libertação de Lee, mas não parece ter sido assim", comentou.

Cinco livreiros ligados à Causeway Bay Books desapareceram no ano passado durante deslocações à China interior, em Hong Kong e na Tailândia. Meses depois, a China admitiu que todos estavam sob sua custódia.

Dois deles foram entretanto libertados sob fiança e regressaram a Hong Kong. Um terceiro deverá ser também libertado, segundo informaram as autoridades chinesas à polícia de Hong Kong na semana passada.

As autoridades da China acusam-nos de estarem envolvidos num caso de comércio de livros proibidos no país, uma atividade que alegadamente realizaram sob ordens de Gui Minhai, considerado o cérebro da operação.

Gui desapareceu na Tailândia em outubro e apareceu na televisão estatal chinesa em janeiro, num vídeo em que afirma que fugia há 12 anos à justiça da China, que o condenou por ter causado a morte de uma mulher ao conduzir embriagado em 2004.

Quanto a Lee Bo, apareceu na Phoenix TV na segunda-feira a dizer que não tinha sido raptado e que tinha ido para a China pelos seus próprios meios para colaborar na investigação.

Organizações e ativistas de defesa dos direitos humanos duvidam que estas confissões sejam reais e afirmam que podem ter sido feitas sob coação.

Lusa

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