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Vítimas do tsunami no Japão vão demorar 10 anos a voltar a casa

Cerca de 59 mil pessoas desalojadas pelo maremoto que arrasou o nordeste do Japão, há cinco anos, vão demorar pelo menos outros cinco para conseguirem regressar aos antigos locais de residência, devido às dificuldades na recuperação da região.

Japão, 11 de março de 2011: um sismo de magnitude 9 seguido de um tsunami devastou a região de Tohoku (nordeste), fazendo quase 19.000 mortos e provocando um grave acidente nuclear na central de Fukushima.

Japão, 11 de março de 2011: um sismo de magnitude 9 seguido de um tsunami devastou a região de Tohoku (nordeste), fazendo quase 19.000 mortos e provocando um grave acidente nuclear na central de Fukushima.

© Yomiuri Yomiuri / Reuters

Nas prefeituras de Iwate, Miyagi e Fukushima as autoridades continuam a trabalhar na reabilitação das zonas devastadas e na construção de novas casas para os desalojados, mas a falta de terrenos mais elevados para construções seguras e de financiamento e mão de obra estão a atrasar o processo.

Dos 46 municípios da zona, 17 não sabem quando poderão regressar todos os residentes que foram retirados, depois do maremoto que causou perto de 18.500 mortos e desaparecidos (15.849 mortos e 2.561 desaparecidos), de acordo com o último balanço da polícia japonesa, divulgado no mês passado.

Entre estes 17 contam-se 11 localidades da prefeitura de Fukushima, onde também dezenas de milhares de pessoas foram retiradas na sequência do acidente nuclear desencadeado pelo maremoto de 11 de março de 2011.

Cerca de oito mil trabalhadores - peritos de energia nuclear, engenheiros e técnicos de diferentes áreas, entre muitos outros - trabalham todos os dias na central.

Cinco anos depois da catástrofe, o operador da central - Tokyo Electric Power (TEPCO) - admitiu em fevereiro ter desvalorizado a gravidade do estado dos reatores, por não ter reconhecido, com a rapidez necessária, que três deles tinham entrado em fusão.

A onda gigantesca criada pelo violento de sismo de 9,0 de magnitude submergiu as instalações, a eletricidade foi cortada, os sistemas de arrefecimento do combustível nuclear pararam, levando a fusão do combustível do núcleo de três dos seis reatores. As explosões de hidrogénio destruíram parte dos edifícios de Fukushima Daiichi.

Só em maio de 2011, dois meses depois do acidente, a TEPCO usou a expressão "fusão do núcleo" do reator.

A TEPCO foi acusada de falta de preparação que resultou numa gestão deficiente do acidente nuclear, mas o presidente da empresa, Naomi Hirose, refutou as acusações de camuflagem das informações sobre a gravidade da situação, sem negar uma comunicação inapropriada.

"A 14 de março de 2011, efetuámos medições para avaliar a proporção dos danos no núcleo dos reatores e deduzimos que era de 55% para a unidade número um. Esta informação foi transmitida às autoridades", disse, perante uma comissão parlamentar, sublinhando "não ter existido qualquer intenção de dissimular os dados".

A empresa é criticada por não ter usado o termo "meltdown" (fusão do núcleo), mais correta para identificar a gravidade da situação, apesar de os manuais de gestão de crise da TEPCO especificarem claramente que "se os danos no núcleo de um reator excederm 5%, pode deduzir-se que se está na presença de uma fusão".

Fukushima Daiichi continua sob a ameaça de uma outra catástrofe natural, mas atualmente "as equipas estão mais bem preparadas e os potenciais riscos inerentes ao combustível dos reatores é menor, apesar de continuar a ser absolutamente imprescindível arrefecer o conjunto" dos reatores, indicou o diretor da central, Akira Ono.

A TEPCO construiu novos muros que supostamente poderão travar um 'tsunami' de 15 metros, como aconteceu em março de 2011.

As condições de trabalho também melhoraram e em grande parte da central deixou de ser obrigatório o uso de máscara facial integral, um edifício para descansar e com refeitório voltou a estar aberto e os operários têm equipamentos de controlo de níveis de radiação de última geração, garantiu a empresa.

Mas no interior dos edifícios dos reatores a radioatividade continua extremamente elevada, ainda inacessíveis ao homem.

Mais de um milhar de enormes reservatórios guardam importantes quantidades de água em parte contaminada, à qual ninguém sabe ainda o que fazer. As autoridades nucleares japonesa e internacionais continuam a considerar como opção o seu lançamento no mar.

Serão precisas pelo menos quatro décadas para desmantelar esta central, situada a pouco mais de 200 quilómetros a nordeste de Tóquio, com tecnologias que, na maioria dos casos, ainda estão por inventar.

"Nesta fase, é como se acabassemos de subir a primeira etapa de uma montanha", confessou Ono, recorrendo a uma fórmula japonesa corrente que significa que apenas 10% do caminho foi percorrido.

Lusa

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