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Luaty Beirão diz que se repete "filme" sobre saída de José Eduardo dos Santos

O ativista luso-angolano Luaty Beirão, um dos acusados em tribunal de atos preparatórios para uma rebelião em Angola, desvalorizou esta sexta-feira o anúncio da saída da vida política do Presidente José Eduardo dos Santos, lembrando que já viu este "filme".

"Eu não me deixo entrar em momento de excitação ou de alegria porque já ouvi esse discurso em 2011 (...) Daqui a bocado está ele a voltar atrás com a sua palavra, alegando que o partido pede que não os abandone nesta altura tão complicada, porque é o único timoneiro capaz de levar o barco a bom porto. A gente já conhece este filme", afirmou à agência Lusa Luaty Beirão, que aguarda o desfecho do julgamento em prisão domiciliária, em Luanda.

O presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e chefe de Estado angolano há 36 anos, José Eduardo dos Santos, anunciou esta sexta-feira que deixa a vida política ativa em 2018, ano em que completará 76 anos.

O anúncio foi feito em Luanda na abertura da 11.ª reunião ordinária do Comité Central do MPLA, convocada por José Eduardo dos Santos para preparar o congresso do partido, agendado para agosto e que servirá para preparar as candidaturas às eleições gerais de 2017 em Angola.

"Em 2012, em eleições gerais, fui eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017. Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018", anunciou José Eduardo dos Santos, depois de passar em revista o seu percurso no MPLA e na liderança de Angola.

"É incompreensível porque é que alguém anuncia que vai afastar-se da vida política em 2018 quando existem eleições previstas para 2017. Porque é que não diz logo que não vai ser o candidato para 2017", apontou, por seu turno, Luaty Beirão, que desde 2011 se assume como um dos rostos da contestação ao regime de José Eduardo dos Santos.

Juntamente com 16 jovens, o ativista e rapper está acusado em coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente, estando as alegações finais do julgamento agendadas para o tribunal de Luanda, na segunda-feira.

"Tudo isto parece mais uma tentativa de um passo de dança do Presidente e vou esperar para ver. Mas não tenho muita em fé em nada de muito positivo vindo daí", concluiu Luaty.

Neste discurso, o chefe de Estado angolano não clarificou em que moldes será feita a sua saída da vida política e se ainda estará disponível para concorrer às eleições gerais de agosto de 2017 ou à liderança do partido, este ano, antes da sua retirada.

José Eduardo dos Santos é Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano.

Na mensagem que dirigiu aos mais de 260 membros do comité central presentes na reunião de hoje, José Eduardo dos Santos criticou ainda a gestão danosa nas empresas públicas, apelando à mobilização dos melhores quadros para as funções de governação do país.

Lusa

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