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Advogado de Lula diz que divulgação de escutas "estimula a convulsão social"

O advogado do ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje que a divulgação de escutas de conversas telefónicas do seu cliente "estimula a convulsão social".

© Ueslei Marcelino / Reuters

"Este ato [divulgar os áudios] está estimulando uma convulsão social e isso não é papel do judiciário", disse o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins.

O causídico considerou não haver necessidade de quebrar o sigilo telefónico do ex-Presidente, alegando que se tratou de uma decisão arbitrária.

"A arbitrariedade depende do conteúdo da conversa telefónica. Não se pode falar em obstrução da Justiça, já que o ex-Presidente não é réu", acrescentou o advogado.

Nos áudios, divulgados na quarta-feira pelo canal de televisão Globo News, Dilma Roussef diz a Lula que mandou alguém entregar o termo de posse do ex-Presidente como ministro, para o caso de ser necessário.

"Seguinte, eu estou mandando o 'Messias' [Jorge Rodrigo Araújo Messias, subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil] junto com o papel para gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?", diz Dilma, ao que Lula responde: "Está bom, eu estou aqui, fico aguardando".

As conversas foram gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial antes de Dilma Roussef anunciar publicamente que Lula seria ministro chefe da Casa Civil.

A Constituição do Brasil determina que ministros de Estado têm imunidade e só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Lula aceitou o convite para chefiar o Ministério da Casa Civil, ficando por isso com imunidade. A nomeação do ex-Presidente brasileiro como ministro saiu numa edição especial do Diário Oficial da União no início da noite de hoje.

Lusa

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