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Organizações de Direitos Humanos criticam China por desaparecimento de jornalista

As organizações de direitos humanos criticaram hoje a China, ligando o desaparecimento de um jornalista que trabalhava em Pequim a uma invulgar carta aberta que pedia a resignação do Presidente Xi Jinping.

O Presidente chinês, Xi Jinping

O Presidente chinês, Xi Jinping

© POOL New / Reuters

O jornalista freelancer Jia Jia, de 35 anos, não é visto desde terça-feira, disse o seu advogado, Yan Xin, à AFP. "Ele desapareceu no dia 15", afirmou, citando a mulher do jornalista.

A Amnistia Internacional disse que um amigo próximo de Jia Jia disse à organização que ele desapareceu pouco depois de ter passado a imigração no aeroporto de Pequim, de onde devia ter embarcado num voo para Hong Kong.

A City University of Hong Kong também confirmou à AFP que Jia não compareceu no seminário que era suposto dar naquela universidade na quinta-feira.

"Estamos profundamente preocupados com o desaparecimento do jornalista chinês Jia Jia", disse Bob Dietz, coordenador do programa para a Ásia do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

"Se ele está sob custódia policial, as autoridades devem revelar onde é que ele está detido e por que o detiveram. Se alguém sabe do seu paradeiro, deve falar e clarificar este mistério preocupante", acrescentou.

Segundo afirmou à agência EFE um conhecido jornalista próximo de Jia, Wang Wusi, o caso poderá estar relacionado com o seu interesse por uma carta redigida por "membros leais ao PCC" (Partido Comunista chinês) que apelam à demissão de Xi.

Tanto a Amnistia Internacional como o Comité para a Proteção dos Jornalistas relacionaram o desaparecimento de Jia com essa carta aberta publicada no portal oficial do Governo chinês Wujie News a 04 de março, na véspera do início da sessão anual da Assembleia Nacional Popular chinesa (órgão legislativo) e, entretanto, apagada.

Jia, que soube da existência daquela missiva através de comentários de amigos na rede social chinesa Wechat (WhatsApp chinês), contactou então o diretor executivo do portal, Ouyang Hongliang, com quem trabalhou no passado, explica Wang.

"O seu desaparecimento está provavelmente relacionado com a publicação da carta e talvez com a implicação pelas autoridades do seu envolvimento ou conhecimento da carta", disse à AFP o investigador da Amnistia China William Nee.

"Os jornalistas e ativistas são forçados a 'beber chá' a toda a hora com as autoridades (...), mas geralmente isso não demora muito tempo", afirmou, acrescentando que as autoridades habitualmente tentam extrair informação durante estas reuniões.

No entanto, o advogado de Jia disse que o seu desaparecimento pode não estar relacionado com a carta.

Sob a liderança do Presidente Xi Jinping, o Partido Comunista chinês aumentou o controlo sobre a sociedade, detendo ou interrogando mais de 200 advogados de direitos humanos e ativistas no ano passado, naquilo que tem sido apontado por analistas como uma dos maiores repressões a dissidentes recentemente, escreve a AFP.

Sophie Richardson, diretora da Human Rights Watch para a China, expressou preocupação sobre o desaparecimento de Jia na rede social Twitter.

"#China Disapps journo - Já não basta simplesmente apagar todos os vestígios de críticas. A tendência agora é apagar os críticos também", escreveu no Twitter.

A China tem estado no centro das atenções na sequência do desaparecimento no final do ano passado de cinco livreiros de Hong Kong, ligados à mesma editora que publicava títulos críticos do regime chinês.

As autoridades do interior da China não podem operar em Hong Kong sem autorização.

A maior parte dos livreiros desapareceu de Hong Kong sem que haja registo de terem passado a fronteira para o interior da China.

No início deste mês, alguns dos livreiros regressaram a Hong Kong e aproveitaram para, junto das autoridades locais, cancelarem o respetivo estatuto de pessoa desaparecida na antiga colónia britânica, tendo regressado ao interior da China poucos dias depois.

Lusa

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