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Cabo Verde vai hoje às urnas para eleger governo

Mais de 350 mil eleitores cabo-verdianos vão hoje às urnas para eleger os 72 deputados ao parlamento nacional, de onde sairá o governo para os próximos cinco anos, naquelas que são as sextas eleições multipartidárias no país.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Na corrida estão seis partidos políticos: Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder), Movimento para a Democracia (MpD, maior partido da oposição), União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, terceiro partido com assento parlamentar) e Partido Popular (PP), Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) e Partido Social Democrático (PSD), todos sem representação no parlamento.

Estão inscritos 350.388 eleitores, 45.085 dos quais no estrangeiro, incluindo Portugal (15.077), o círculo com mais inscritos na diáspora cabo-verdiana.

Nestas eleições está em causa a continuidade do PAICV na liderança do país, após três mandatos de maioria absoluta, ou o regresso do MpD, após 15 anos de governos liderados pelo atual primeiro-ministro José Maria Neves, que não se candidata.

O PAICV apresenta a estas eleições a primeira mulher presidente de um partido em Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, 37 anos, antiga ministra do Emprego.

Por seu lado, o MpD candidata o ex-presidente da câmara da Praia e antigo ministro das Finanças, Ulisses Correia e Silva, 53 anos.

Em confronto estão a ideia de continuidade e estabilidade de Governo, defendida pelo PAICV, e a necessidade de mudança e de uma nova forma de fazer política, sustentada pelo MpD.

Daquelas que estão a ser consideradas as eleições mais renhidas das últimas décadas no país, poderá resultar ainda o reforço da votação na União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), a terceira força política atualmente com dois deputados.

Liderada por António Monteiro e com implantação sobretudo na ilha de São Vicente, a UCID aposta no fim a bipolarização partidária em Cabo Verde.

As urnas abrem às 08:00 horas e encerram às 18:00 horas (mais uma hora em Lisboa) e a votação decorre em 1.300 mesas distribuídas pelo arquipélago e pela diáspora.

A campanha eleitoral, que terminou na sexta-feira, ficou marcada por acusações mútuas de "compra de consciência" e de tentativas de condicionar o voto.

As eleições irão ser acompanhadas por uma missão de 20 observadores da União Africana e por alguns diplomatas da embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde, que foram acreditados pela Comissão Nacional de Eleições.

A situação financeira da companhia aérea cabo-verdiana TACV, que tem um dos seus aviões arrestados na Holanda devido a dívidas, foi outro dos assuntos que marcou a campanha eleitoral.

Lusa

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