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Karadzic condenado a 40 anos de prisão pelo genocídio de Srebrenica

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPI-J) condenou hoje o ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic pelo genocídio de Srebrenica em 1995 e por crimes contra a humanidade durante o conflito na Bósnia entre 1992 e 1995.

Os juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPI-J) começaram a ler o veredito do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic às 14h00 em Haia, eram 13h00 em Lisboa.

Acusação pedia uma pena de prisão perpétua

Mais de 20 anos após o fim da guerra civil na Bósnia-Herzegovina, Karadzic conheceu hoje a sentença do TPIJ pelas acusações de genocídio e crimes contra a humanidade. A acusação pediu uma pena de prisão perpétua.

No final de um longo processo histórico, o fundador da Republika Srpska (RS, a entidade política que hoje partilha a Bósnia a par da Federação croato-muçulmana) é designadamente acusado pelo TPIJ (uma instituição judicial 'ad hoc' da ONU) de envolvimento direto no massacre de Srebrenica e no cerco de Sarajevo, consideradas as piores atrocidades cometidas na Europa após a Segunda Guerra mundial.

Aos 70 anos, Karadzic foi indiciado por 11 atas de acusação por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante a guerra na Bósnia (abril de 1992 - novembro de 1995) que provocou mais de 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.

Após a morte em 2006, no decurso do seu processo, do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic, é o mais alto responsável a ser julgado pelo tribunal pelos presumíveis crimes cometidos no decurso do conflito interétnico.

De acordo com a acusação, pretendia dividir a Bósnia e "expulsar em definitivo os muçulmanos e croatas dos territórios reivindicados pelos sérvios da Bósnia".

Radovan Karadzic é designadamente acusado de genocídio pelo massacre de cerca de 8.000 homens e adolescentes muçulmanos em Srebrenica em julho de 1995, e que segundo a acusação se inscrevia no plano de "limpeza étnica" planificado por Karadzic, por Ratko Mladic (o chefe militar dos sérvios bósnios e também em julgamento no TPIJ) e por Milosevic após o desmembramento da Jugoslávia.

Foi ainda acusado de genocídio em outros municípios da Bósnia, mas também deve responder por perseguições, mortes, violações, tratamentos inumanos ou transferências forçadas de populações.

A acusação também lhe atribuiu a responsabilidade pelo cerco de Sarajevo, que se prolongou por 44 meses e provocou 10.000 mortos, para além dos campos de detenção com "condições de vida inumanas".

Em entrevista concedida na quarta-feira ao BIRN, uma rede digital de jornalistas da região balcânica, o ex-líder sérvio bósnio disse que espera ser "absolvido" e assegurou que manteve um "combate permanente pela paz", considerando que a "ingerência de potências estrangeiras na crise" impediu um acordo político antes do início da guerra, em abril de 1992.

Antes, em janeiro e março de 1992, Karadzic participou em Lisboa, juntamente com os então líderes muçulmano e croata bósnios, Alija Izetbegovic e Mate Boban, na miniconferência de paz mediada pelo embaixador português José Cutileiro, que resultou na assinatura do "Acordo de Lisboa", depois conhecido por "plano Cutileiro" mas nunca concretizado.

Após ter-se considerado "não culpado" perante a instância judicial em março de 2009, o seu processo com mais de 47.500 páginas de transcrições e 115.000 páginas de elementos de prova terminou em outubro de 2014, na sequência de 497 dias de audiências e 586 testemunhas.

Karadzic manteve sempre a sua posição no decurso do julgamento e no final de 2012 declarava aos juízes do TPIJ: "Fiz tudo o que era humanamente possível para evitar a guerra e reduzir o sofrimento humano".

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