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Japão perde contacto com satélite de observação recém-lançado

A agência de exploração espacial japonesa (JAXA) anunciou hoje ter perdido o contacto com o seu satélite de observação espacial Astro-H, lançado a 17 de fevereiro para estudar os buracos negros e agrupamentos de galáxias.

O satélite foi transportado pelo foguetão japonês 'H-ITA', lançado a partir do centro espacial de Tanegashima, no sul do país.

O satélite foi transportado pelo foguetão japonês 'H-ITA', lançado a partir do centro espacial de Tanegashima, no sul do país.

© KYODO Kyodo / Reuters

A comunicação com o aparelho falhou desde o início das suas operações, programado para o passado sábado, dia 26, explicou a agência.

A causa da falha de comunicação está a ser investigada, estando a JAXA a tentar recuperar o contacto.

A agência recebeu um breve sinal do satélite durante as suas investigações, mas não é atualmente capaz de determinar o estado em que se encontra o dispositivo.

Uma porta-voz da JAXA indicou à agência AFP que uma equipa técnica de 40 membros foi destacada para resolver o problema do satélite.

O Centro Conjunto de Operações Espaciais (JSpOC) norte-americano, que rastreia objetos artificiais que orbitam em torno da Terra, informou, através da rede social Twitter, que observou cinco objetos próximos do satélite de observação espacial japonês, sugerindo que o aparelho pode ter sofrido várias "ruturas".

O astronauta do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian Jonathan McDowell replicou, porém, que tal não significa que se "tenha desfeito em pedaços", apontando que pequenas peças poder-se-ão ter desprendido e que o satélite "pode estar basicamente intacto".

O Astro-H, que transporta 200 espelhos de concentração de raios-X para aparelhos de última geração, tem 14 metros de comprimento e nove de largura e pesa 2,7 toneladas, figurando como o satélite mais pesado lançado até hoje pelo Japão.

Desenvolvido conjuntamente pela JAXA, pela agência espacial norte-americana (NASA) e outros grupos, tinha como objetivo ficar em órbita a cerca de 580 quilómetros de altitude para observar os raios-X emitidos principalmente por buracos negros e agrupamentos de galáxias distantes, através dos seus detetores de raios gama e quatro telescópios de raios-X.

O satélite foi transportado pelo foguetão japonês H-ITA, lançado a partir do centro espacial da ilha de Tanegashima, na prefeitura de Kagoshima, localizada no sudoeste do Japão.

Os buracos negros nunca foram observados diretamente, mas o anúncio em fevereiro da deteção, pela primeira vez, de ondas gravitacionais constitui mais uma prova da sua existência.

Os físicos concluíram que as ondas gravitacionais detetadas foram produzidas durante a fração final de um segundo da fusão de dois buracos negros num de maiores dimensões. Essa colisão de dois buracos negros tinha sido prevista, mas nunca observada.

De acordo com a JAXA, o Astro-H poderá contribuir com elementos de resposta inéditos para questões universais como: Quais são as leis da física em condições extremas? O que aconteceu no momento da criação do universo? Como se formaram as galáxias e como evoluíram? Como se desenvolvem os buracos negros e qual a sua influência em redor?

Lusa

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