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Assad acusa Paris e Londres de apoiar terrorismo na Síria e Iraque

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, acusa vários países ocidentais, sobretudo França e Reino Unido, a Turquia e a Arábia Saudita de apoiarem diretamente os grupos terroristas presentes na Síria e no Iraque, segundo uma entrevista hoje divulgada.

SANA HANDOUT

"O terrorismo é um problema de todos. É apoiado diretamente pela Turquia, pela família real da Arábia Saudita, e por alguns dos Estados ocidentais, sobretudo a França e o Reino Unido", afirmou o governante sírio, numa entrevista hoje divulgada pela agência noticiosa russa RIA Novosti.

Os restantes países ocidentais, segundo acrescentou Assad, "observam, sem fazerem nada de sério" para solucionar o problema.

Na mesma entrevista, Bashar al-Assad também explicou a sua visão das negociações de paz que têm decorrido em Genebra, mas sem abordar qual será o seu papel durante o período de transição política no país, um dos aspetos que tem sido debatido nas conversações indiretas na Suíça entre a oposição síria e o regime de Damasco e um dos principais obstáculos para o fim do conflito civil sírio.

Segundo o governante, Damasco não aceita a formação de um "órgão executivo de transição", mas defende um "governo de unidade nacional que redija uma nova Constituição".

"Nem a Constituição síria, nem a Constituição de nenhum outro país prevê algo designado como um órgão de poder de transição. Não tem lógica e é inconstitucional. Quais seriam as atribuições desse órgão? Quem vai controlar o seu trabalho?", realçou o líder sírio.

O que existe, sublinhou Assad, "é uma Constituição e um Conselho Nacional [parlamento] que regulam o governo e o Estado, e por isso a solução é um governo de unidade nacional que deve redigir uma nova Constituição".

O chefe de Estado sírio afirmou que está disponível para negociar "o formato da transição" na Síria, indicando que o primeiro passo a dar é negociar a formação de um governo integrado "por diversas forças políticas sírias: opositores, independentes, membros do atual governo e outros".

Bashar al-Assad reconheceu que até à data "não se pode dizer que foram alcançados resultados nas conversações em Genebra" e explicou que as partes estão a trabalhar num documento que vai estabelecer "os princípios básicos" das negociações.

"Sem estes princípios, as negociações tornam-se caóticas e não levam a lado nenhum, é criado espaço para que as partes mostrem obstinação e permite a ingerência de outros países", acrescentou.

Até ao momento, o regime de Damasco e a oposição síria ainda não conseguiram ter conversações diretas, porque ainda não foram capazes de ultrapassar divergências iniciais e avançar com o processo negocial.

Os Estados Unidos e a oposição exigem que o Presidente sírio renuncie ao poder, enquanto Damasco e a Rússia insistem que a eventual saída de Bashar al-Assad deve ser decidida pelo povo sírio, deixando assim a porta aberta para que o governante participe numa futura eleição.

Numa reunião organizada em Viena, antes das negociações de Genebra, cerca de 20 países envolvidos no conflito sírio concordaram que o poder devia ser transferido para um órgão de governo transitório, que seria responsável por criar as condições necessárias para a redação de uma nova Constituição e para a organização de eleições livres.

Essas eleições deveriam ser realizadas dentro de um prazo máximo de 18 meses, segundo o calendário acordado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Na quinta-feira passada, o enviado especial da ONU para a Síria, o veterano diplomata italo-sueco Staffan de Mistura, afirmou que pretendia retomar as negociações de paz a 09 de abril, apesar do regime sírio ter pedido o agendamento das conversações para depois das eleições parlamentares naquele país, agendadas para o próximo dia 13 de abril.

Mais de 270 mil pessoas, incluindo mais de 79 mil civis, morreram na Síria desde o início do conflito civil em março de 2011, que também provocou milhões de deslocados e refugiados.

Lusa

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