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Epidemia de febre-amarela em Angola causou 200 mortes em quatro meses

A epidemia de febre-amarela que assola Angola matou praticamente 200 pessoas em quatro meses e só nos últimos dois dias os novos casos suspeitos da doença chegam à centena.

© Stringer . / Reuters

De acordo com o mais recente boletim sobre a evolução da epidemia, do Ministério da Saúde angolano e da Organização Mundial de Saúde, até 29 de março estavam confirmados laboratorialmente 490 casos de febre-amarela, havendo registo de mais 13 óbitos desde o balanço anterior, há dois dias.

Entre 05 de dezembro e 29 de março, a epidemia da doença - segundo a OMS a pior em 30 anos - provocou a morte de 198 pessoas, entre 1.409 casos suspeitos, contra os 1.311 identificados dois dias antes.

O mesmo boletim, a que a Lusa teve acesso, indica que entre o total de mortes por febre-amarela confirmadas em Angola, 151 foram na província de Luanda, tendo as autoridades de saúde identificado a presença do mosquito transmissor da doença no mercado do Quilómetro 30, no município de Viana, na capital angolana.

Para travar a epidemia de febre-amarela, o Ministério da Saúde e a OMS lançaram uma campanha de vacinação que até 29 de março já imunizou 5.804.475 pessoas, o equivalente a 88% da população-alvo da capital angolana. A campanha, segundo a OMS, será agora alargada a outras cinco províncias com risco de transmissão local da doença.

O lixo acumulado nas ruas, falta de saneamento, dificuldades dos hospitais com falta de medicamentos devido à crise financeira generalizada no país e as fortes chuvas que se têm feito sentir, nomeadamente em Luanda, ajudam a explicar a rápida propagação da doença desde dezembro.

O ministro da Saúde de Angola, Luís Gomes Sambo, afirmou na última quinta-feira que Luanda vive epidemias de malária grave e febre-amarela que estão a deixar os hospitais sem capacidade de resposta, mas afastou declarar a situação de emergência na capital.

O governante anunciou a disponibilização de uma dotação adicional de mais de 30 milhões de dólares (26,8 milhões de euros) para a compra de vacinas, medicamentos e outro material médico para combater as duas epidemias que afetam a capital, verba que ainda será reforçada.

"Registámos desde o início deste ano, aqui na província de Luanda, uma epidemia de paludismo (malária) grave que tem, juntamente com a febre-amarela, aumentado a procura por parte dos utentes das unidades de saúde", apontou Luís Gomes Sambo.

Só a epidemia de malária já terá afetado cerca de 500.000 pessoas em Luanda nas últimas semanas, sendo a doença a principal causa de morte em Angola.

Angola vive uma profunda crise económica e financeira devido à quebra das receitas fiscais com a exportação de petróleo, o que levou o Estado a cortar nos gastos. Nos últimos dias multiplicaram-se donativos de empresários e população aos hospitais de Luanda, sem consumíveis e alimentos.

"A situação é controlável, os meios de controlo estão a chegar, já foram mobilizados. O engajamento do Governo é suficiente para controlar a situação, até este momento, e portanto não vemos a necessidade de declarar o estado de emergência, esta é uma questão de momento", disse ainda.

Já esta terça-feira, o ministro anunciou uma dotação excecional para contratar, nos próximos dias, cerca de 2.000 médicos e paramédicos angolanos recentemente formados no país e no estrangeiro para reforçar a capacidade de combate dos hospitais às epidemias que assolam sobretudo Luanda, província com quase sete milhões de habitantes.

Lusa

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