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Myanmar tem o primeiro presidente democraticamente eleito em mais de 50 anos

O novo presidente de Myanmar (ex-Birmânia) tomou hoje posse, perante o parlamento em Naypyidaw, marcando o início de uma nova era para o país, que esteve durante décadas sob domínio militar.

Presidente de Myanmar, Htin Kyaw (esq.), presta juramento.

Presidente de Myanmar, Htin Kyaw (esq.), presta juramento.

© POOL New / Reuters

"Prometo ser fiel ao povo da República birmanesa", declarou Htin Kyaw, que chegou ao parlamento ao lado da prémio Nobel da Paz e ativista pró-democracia Aung San Suu Kyi, envergando os dois 'longyis', a tradicional saia birmanesa.

"Tenho a obrigação de trabalhar para uma Constituição de padrão democrático e adequada ao país", disse o primeiro Presidente eleito democraticamente em mais de 50 anos.

"Compreendo que temos de trabalhar pacientemente para concretizar as ambições políticas que o nosso povo sonhou durante muitos anos", sublinhou Htin Kyaw, de 69 anos, no discurso de posse, de menos de três minutos, de acordo com o jornal birmanês The Irrawaddy.

Impossibilitada de ser Presidente devido a um artigo da Constituição herdada da junta militar, que proíbe o acesso ao cargo para quem tenha filhos de nacionalidade estrangeira - como Aung San Suu Kyi, que tem dois filhos britânicos - a "Dama de Rangum", figura dominante da oposição ao regime dos generais, vai liderar um novo "superministério", que inclui os Negócios Estrangeiros.

Suu Kyi tomou posse, tal como os restantes membros do governo, depois de Htin Kyaw. A prémio Nobel da Paz, de 70 anos, é a única mulher no executivo sexagenário.

Esta passagem de poder, 15 dias após a eleição de Htin Kyaw pelo parlamento, é o último ato de uma muito longa transição política, que começou depois das legislativas de 08 de novembro passado, o primeiro escrutínio livre em cerca de 25 anos e no qual os birmaneses participaram em massa.

A vitória esmagadora da Liga Nacional para a Democracia (NDL, sigla em inglês), o partido de Aung San Suu Kyi, nas eleições foi também um voto contra o governo de transição de ex-generais, responsáveis por importantes reformas em cinco anos de transição pós-junta militar, liderado pelo chefe de Estado cessante Thein Sein.

Ao mesmo tempo que saudou esta passagem como "uma nova etapa" para a democracia em Myanmar, a União Europeia lembrou, através da chefe da diplomacia dos 28, Federica Mogherini, "os numerosos desafios" ainda por enfrentar.

Este governo civil é investido quando um terço da população birmanesa vive sob o limiar da pobreza.

A NLD prometeu dar prioridade à educação e à saúde, áreas em que Myanmar é um dos piores alunos mundiais, em termos de orçamento.

"O país está pronto e ávido de mudança", considerou o analista político Khin Zaw Win, antigo preso político e atual diretor do centro de análise política Tampadipa.

O novo governo estará sobre forte pressão, nos próximos cinco anos, para empreender reformas rápidas e visíveis e será tentado a "não partir do zero", acrescentou.

Uma outra grande questão que espera a equipa de Aung San Suu Kyi é a dos conflitos étnicos. Em várias regiões fronteiriças, grupos rebeldes exigem mais autonomia e confrontam-se com as forças governamentais.

No oeste do país, milhares de muçulmanos 'rohingyas' continuam a viver deslocados em campos.

O novo governo terá também que manobrar para gerir as relações com o exército birmanês, que se mantém politicamente muito poderoso, com um quarto dos lugares no parlamento a pertencer a militares não-eleitos.

No executivo, os militares ocupam as pastas do Interior, Defesa e Fronteiras. O poderoso chefe das forças armadas, o general Min Aung Hlaing, deslocou-se ao parlamento para assistir à cerimónia de posse de Htin Kyaw.

Lusa

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