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Repórteres pedem fim às perseguições feitas a famílias de dissidentes chineses

A organização Repórteres Sem Fronteiras apelou hoje a Pequim para que termine com a "caça às bruxas" contra familiares de dissidentes chineses radicados no estrangeiro, lançada após a publicação de uma carta crítica do Presidente chinês.

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© Tyrone Siu / Reuters

Em comunicado, a RSF apela ao fim imediato da campanha de detenções, que atingiu dezenas de pessoas, incluindo os irmãos de Chang Ping, jornalista que vive na Alemanha, e o pai e o irmão de Wen Yunchao, escritor e ativista radicado em Nova Iorque.

Num comunicado difundido pelo portal chinachange.org, Chang revelou que os seus dois irmãos e a sua irmã mais nova foram detidos devido à suspeita de que ele terá participado na redação de uma carta anónima que apela à demissão do Presidente Xi Jinping.

A carta em questão, assinada por "Membros Leais do Partido Comunista", foi publicada no portal oficial do Governo chinês "Wujie News" a 04 de março, na véspera do início da sessão anual da Assembleia Nacional Popular chinesa e apagada logo a seguir.

Na missiva, é atribuído a Xi Jinping - o mais forte líder chinês das últimas décadas - problemas sem precedentes, fruto da centralização de poderes.

Politicamente, Xi "debilitou o poder de todos os órgãos do Estado", inclusive a autoridade do primeiro-ministro, Li Keqiang, lê-se naquela carta.

Na semana passada, foi também noticiado que o jornalista Jia Jia, a residir em Hong Kong, desapareceu no aeroporto de Pequim quando ia embarcar para regressar a casa, tendo grupos de defesa dos direitos humanos, familiares e amigos relacionado o seu desaparecimento com a mesma carta, por o repórter ter manifestado interesse no documento.

Jia Jia foi libertado na sexta-feira à noite, segundo disse à France Presse um advogado, sem dar mais detalhes.

Fontes citadas na semana passada pela BBC garantem que 20 pessoas foram já detidas por causa daquele texto.

A RSF condena o assédio do Governo chinês aos familiares daqueles dissidentes e sublinha que Chang, um prestigiado jornalista chinês que se mudou para a Alemanha, em 2011, "é respeitado por recusar sujeitar-se à censura e por lutar por aquilo em que acredita, incluindo a liberdade de imprensa".

"Esta caça às bruxas expõe a natureza ditatorial do regime chinês, mas o silêncio geral do lado europeu e de toda a comunidade internacional é ainda mais preocupante", afirmou, em comunicado, Benjamin Ismaïl, diretor do escritório da RSF para a região Ásia Pacífico.

"Será preciso esperar que diplomatas estrangeiros sejam detidos e acusados de levar a cabo atividades contra o PCC para haver uma reação? Estados Unidos e Alemanha têm a obrigação de assegurar que as autoridades chinesas garantem os direitos básicos de pessoas como Chang Ping e Wen Yunchao", afirma.

Na China, o papel dirigente do PCC é um "princípio cardeal" e críticas aos líderes do partido na imprensa são praticamente inexistentes.

No índice de liberdade de imprensa em 180 países, compilado anualmente pela RSF, o gigante asiático ocupa o 176º lugar.

Lusa

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