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Detidos cinco trabalhadores da construtora do viaduto que desabou na Índia

A polícia indiana anunciou hoje ter detido cinco funcionários da construtora do viaduto que ruiu na quinta-feira, em Calcutá, causando pelo menos 25 mortos.

© Rupak De Chowdhuri / Reuters

As equipas de socorro retiraram quase 100 sobreviventes, presos sob enormes placas de betão e vigas de metal, que se despenharam sobre uma rua muito movimentada de Calcutá, onde circulavam carros e peões.

A polícia afirmou existirem poucas probabilidades de encontrar mais sobreviventes sob os destroços do viaduto, em construção desde 2009.

"As operações de socorro não vão parar até que todos os blocos de cimento e vigas de metal sejam retirados do local", disse o comissário adjunto da polícia Akihlesh Chaturvedi, ao anunciar que o número de mortos tinha subido para 25.

"Perto de 300 socorristas, incluindo militares e pessoal da agência de gestão de desastres, estão a trabalhar sem parar para retirar todos os destroços" do local, acrescentou.

A polícia disse terem sido detidos cinco funcionários da IVRCL, construtora responsável pelo projeto, que negou qualquer responsabilidade no desastre na capital do estado indiano de Bengala Ocidental.

"Cinco pessoas da companhia de Hyderabad foram detidas para prestarem depoimento", disse Chaturvedi, sem dar pormenores.

Antes, a polícia tinha informado ter registado um caso de homicídio contra a firma, cujos escritórios em Calcutá foram encerrados para investigação.

Um deputado do estado Derek o'Brien disse que a empresa integrava uma lista negra em outros estados e tinha "má reputação".

"A lei vai seguir os seus trâmites, ninguém será poupado", disse aos jornalistas em Calcutá.

A construção do viaduto de dois quilómetros de comprimento começou em 2009 e devia terminado no prazo de 18 meses, mas sofreu vários contratempos.

Na quinta-feira, um representante da construtora enfureceu as vítimas ao descrever o acidente como "um ato de Deus".

Hoje, a empresa voltou a negar qualquer responsabilidade no desastre e afirmou que as obras tinham sido repetidamente adiadas por dificuldades na obtenção de autorizações necessárias.

Aos jornalistas, em Hyderabad, onde está a sede da empresa, o responsável pelo departamento legal da IVRCL, Seetha Peddapathi, considerou que o desastre "foi um acidente que a firma lamenta muito".

"A IVRCL e o seu pessoal vão cooperar com a investigação e prestar todo o apoio possível", acrescentou.

A Índia regista com regularidade acidentes mortais deste género, muitas vezes devido ao desrespeito pelas normas de construção e pela utilização de materiais de qualidade inferior, num país com um défice de infraestruturas de transporte e de habitações.

Lusa

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