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Mais de um milhão de moçambicanos estão em situação de insegurança alimentar

Cerca de 1,4 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar devido à seca em Moçambique e o Governo moçambicano precisa 13 milhões de dólares (11 milhões de euros) mensais para responder às necessidades das populações afetadas.

© Eldson Chagara / Reuters

"É uma situação preocupante e estamos a trabalhar, em conjunto com os nossos parceiros, para responder às necessidades das pessoas afetadas", disse hoje o diretor-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), João Machatine, falando à imprensa, momentos após uma reunião com parceiros de apoio em Maputo.

De acordo com os dados do INGC, as províncias do centro e do sul de Moçambique são as mais afetadas pelas calamidades e menos de 10% dos camponeses conseguiram ter resultados no primeiro período da época agrícola.

Para responder às necessidades das populações afetadas, prosseguiu João Machatine, o Governo moçambicano precisa de três mil toneladas de cereais e duas mil toneladas de feijão por mês, uma quantidade de produtos avaliada em 13 milhões de dólares (11 milhões de euros).

"Estamos a tentar elaborar um plano conjunto de resposta", declarou, acrescentando, sem detalhes, que já há parceiros que manifestaram vontade de aumentar o nível de apoio.

Durante a reunião de hoje, de acordo com o diretor-geral do INGC, a equipa humanitária para Moçambique, integrada pela Unicef e pela FAO, garantiu que iria mobilizar 103 milhões de dólares (90 milhões de euros) para apoiar as pessoas afetadas pela estiagem, nos domínios da alimentação e da agricultura.

João Machatine assinalou ainda que os planos do Governo moçambicano vão valorizar o apoio alimentar e o abastecimento de água e, no contexto destas estratégias, 61 furos de água foram abertos nas províncias de Inhambane e Gaza.

No que respeita às cheias, que normalmente assolam o país neste período do ano, o diretor-geral do INGC disse que cerca de 10 mil pessoas foram afetadas desde janeiro, principalmente do norte do país, mas nenhum óbito diretamente ligado a este desastre natural foi registado.

"Quanto às cheias, conseguimos controlar a situação e podemos dizer que o balanço é positivo", declarou João Machatine.

Moçambique é sazonalmente atingido por cheias, fenómeno justificado pela sua localização geográfica, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral, mas o sul do país é igualmente afetado por secas prolongadas e que este ano atingem também províncias da região centro.

Lusa

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