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WhatsApp anuncia ter conseguido encriptação total

A aplicação WhatsApp anunciou a utilização de uma "encriptação total", um passo que aumenta a privacidade dos utilizadores, mas que pode gerar conflitos legais.

© Thomas White / Reuters

A aplicação móvel do Facebook, que tem mil milhões de utilizadores em todo o mundo, fez este anúncio semanas depois de um intenso debate sobre os esforços das autoridades norte-americanas para obrigar a Apple a desbloquear um iPhone encriptado.

"A WhatsApp sempre deu prioridade a que os seus dados e comunicações fossem tão seguros quanto possível", refere um comentário, colocado no blogue dos co-fundadores da WhatsApp Jan Koum and Brian Action.

"E hoje estamos orgulhosos em anunciar que concluímos uma aplicação tecnológica que faz da WhatsApp um líder na proteção da sua comunicação privada: a encriptação total", lê-se no comentário.

Isto significa que "quando se envia uma mensagem, a única pessoa que pode lê-la é a pessoa ou o grupo de 'chat' para quem foi enviada", refere.

"Ninguém pode ver o conteúdo da mensagem. Nem os cibercriminosos, nem os regimes opressivos, nem mesmo nós", adianta.

Desenvolvida por empresas de tecnologia com vista à obtenção de uma encriptação para a qual nem mesmo as próprias companhias conseguem obter "chaves" para a desbloquear, esta aplicação desencadeou críticas nos círculos de aplicação da lei sob a fundamentação de que tal cria espaços "à prova de mandado" para criminosos e outros.

Os comentários foram colocados no blogue dos co-fundadores da WhatsApp Jan Koum and Brian Action e referem a criptografia como uma ferramenta importante para os utilizadores.

"Vivemos num mundo em que os dados são digitalizados como nunca o foram", acrescentam.

"Todos os dias vemos histórias sobre dados sensíveis que foram roubados. E, se nada for feito, a informação digital das pessoas estará mais vulnerável a ataques nos próximos anos. Felizmente, a encriptação total protege-nos dessas vulnerabilidades", sublinham.

A WhatsApp está envolvida numa batalha judicial semelhante à que envolve Apple, que tentou obter permissão federal para desbloquear um iPhone usado por um dos atiradores de San Bernardino.

Outros relatos referem que a aplicação WhatsApp e a designada Telegram foram utilizadas pelos autores dos atentados de 13 de novembro em Paris, que causaram 130 mortos.

Uma ampla coligação de empresas de tecnologia e ativistas argumentaram contra quaisquer regras de criptografia que permitissem "acesso especial" para aplicação da lei, alegando que estas causariam vulnerabilidades que podiam ser exploradas por ´hackers` ou governos repressivos, assim como podiam ameaçar a segurança das transações bancárias, o comércio eletrónico e segredos comerciais entre outros.

Em 2014, o Facebook anunciou ter adquirido a WhatsApp por 19 biliões em dinheiro e ações.

Segundo especialistas, a WhatsApp é particularmente popular em países da América Latina, Ásia e América, onde é usada em substituição das redes de telecomunicações oficiais.

Lusa

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