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ONU prepara retirada de doentes e feridos de cidades cercadas na Síria

As Nações Unidas anunciaram hoje que estão a preparar um plano para retirar os doentes e os feridos de quatro cidades sírias cercadas durante a próxima semana.

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Jan Egeland, que lidera o grupo de trabalho dedicado à ajuda humanitária para a Síria, afirmou hoje que uma evacuação médica "de grande dimensão" está a ser planeada para Madaya e Zabadani, duas cidades próximas da capital síria de Damasco sitiadas pelas forças do regime e seus aliados, e para Foua e Kefraya, cercadas pelos rebeldes na região noroeste da Síria.

"Ao todo, poderá abranger 500 pessoas", disse o responsável, precisando que o processo deverá decorrer durante a próxima semana.

Para o representante, este plano é extremamente necessário, exemplificando que recentemente três rapazes morreram em Madaya porque o Hezbollah (movimento xiita libanês), que está a cercar a cidade, ignorou "os apelos desesperados" para a retirada dos jovens.

Os rapazes ficaram gravemente feridos depois de terem manuseado em explosivos que não tinham sido detonados.

"Morreram de uma forma total desnecessária", referiu Jan Egeland, acrescentando que outro jovem "que podia ter sido salvo" também morreu de fome numa das cidades sitiadas.

O problema, segundo o responsável, é que o acordo estabelecido para a ajuda humanitária e para as evacuações nestas quatro cidades foi baseado num esquema que traz muitos constrangimentos: as cidades sitiadas devem receber, de forma simultânea, o mesmo número de colunas de ajuda humanitária e o processo de evacuação deve abranger o mesmo número de pessoas nas quatro localidades.

"Isto está a matar pessoas", lamentou Egeland.

O responsável também manifestou a sua "deceção" e o seu "desânimo" com a falta de progresso na entrega da ajuda humanitária para os cerca de 500 mil sírios que estão retidos nas cidades sitiadas pelo exército do regime de Damasco, pelos grupos rebeldes armados ou pelos jihadistas do Daesh.

Desde o cessar-fogo estabelecido na Síria a 27 de fevereiro, as equipas da ONU foram autorizadas a fornecer ajuda para o interior do país.

Mas o acesso "está a diminuir", referiu Egeland.

Recentemente, cinco colunas de ajuda humanitária foram impedidas de prosseguir caminho, privando de apoio cerca de 287.000 pessoas.

O regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, foi o responsável pelos bloqueios, mas "não de forma exclusiva", reconheceu o funcionário da ONU.

Jan Egeland também pediu mais fundos para facilitar a vacinação de milhões de crianças sírias contra a poliomielite, sarampo e outras doenças.

"Os doadores devem acelerar as suas doações", disse o representante, numa referência ao compromisso assumido, numa conferência de Londres em fevereiro último, para atribuir uma ajuda superior a 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,8 mil milhões de euros).

O enviado especial da ONU para a Síria, o veterano diplomata italo-sueco Staffan de Mistura, anunciou hoje que uma nova ronda das negociações de paz vai começar em Genebra no próximo dia 13 de abril, no mesmo dia em que estão previstas as eleições parlamentares sírias.

Com Lusa

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