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Papa Francisco pede aos cristãos que aceitem casais gays, lésbicas e famílias não convencionais

O Papa pediu hoje, na exortação apostólica "Amoris Laetitia" ("A alegria no amor"), que sejam evitadas posturas rígidas perantes situações "familiares irregulares", como a dos divorciados que voltaram a casar. Em relação aos homossexuais, Francisco defendeu o respeito e a sua não-discriminação.

Papa Francisco

Papa Francisco

© Tony Gentile / Reuters

Francisco apoiou a readmissão dos recasados nos sacramentos, mediante um processo de acompanhamento. Nesta exortação sobre a família, o papa indica "o caminho do discernimento", ou seja, um padre deve identificar caso a caso "as situações irregulares", como um casal de divorciados recasados, para que sejam readmitidos nos sacramentos.

"É importante que os divorciados que vivem uma nova união sintam que fazem parte da Igreja, que 'não estão excomungados', e não são tratados como tal, porque sempre integram a comunhão eclesiástica", defendeu Francisco.

No entanto, ao longo de 260 páginas dedicadas à família e ao casamento, o papa não se refere diretamente ao acesso à comunhão, uma das principais reivindicações dos católicos divorciados e que voltaram a casar pelo civil.

O papa Francisco reconheceu o valor de algumas uniões livres estáveis.

Os casais heterossexuais em união livre ou casados apenas pelo civil podem também ser "sinais de amor" a ter em conta quando atingem uma "estabilidade consistente através de um laço público", ou quando a união é "caracterizada por uma afeição profunda", escreveu.

Em relação aos homossexuais, Francisco defendeu o respeito e a sua não-discriminação, mas sublinhou que as suas uniões não podem ser consideradas um casamento e condenou as pressões de organismos que procuram legalizar o matrimónio homossexual.

O papa afirmou que "todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, devem respeitadas na sua dignidade e acolhidas com respeito, procurando evitar 'qualquer sinal de discriminação injusta' e particularmente qualquer forma de agressão e violência".

"É inaceitável que as igrejas locais sofram pressões nesta matéria e que organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos países pobre à introdução de leis para instituir o 'casamento' entre pessoas do mesmo sexo", acrescentou.

"Só a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher cumpre uma função social plena", disse

"Ninguém pode pensar que enfraquecer a família como sociedade natural fundada no casamento seja algo que favoreça a sociedade", advertiu o papa.

Francisco garantiu que "acontece o contrário: prejudica a maturidade das pessoas, o cultivo dos valores comunitários e o desenvolvimento ético das cidades e dos povos".

Com Lusa