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Polícia descobre vala comum com 55 corpos numa floresta do sudeste da Nigéria

A polícia secreta nigeriana descobriu 55 corpos enterrados sumariamente numa vala comum numa floresta no sudeste da Nigéria, bastião do grupo separatista Povo Indígena do Biafra (IPOB), responsabilizado pelos crimes pelas autoridades locais.

"(A polícia secreta) pôs a nu o papel odioso desempenhado por membros do IPOB no rapto de cinco residentes (da etnia) «Haoussa-Fulani»", declarou o porta-voz dos Serviços de Defesa do Estado nigeriano, Tony Opuiyo.

Segundo Opuiyo, os corpos dos cinco raptados foram descobertos na floresta de Umuanyi, no estado de Abia, onde as autoridades nigerianas creem que terão sido mortos pelos raptores e enterrados sumariamente ao lado de 50 outros cadáveres ainda por identificar.

O porta-voz dos serviços secretos nigerianos garantiu que já foram feitas "algumas detenções" e que, nos inquéritos entretanto feitos, ficou provado que as 55 pessoas foram mortas por membros do grupo separatista.

O movimento separatista Povo Indígena do Biafra foi criado por Nnamdi Kanu, diretor da Rádio Biafra que acabou detido em outubro de 2014 sob a acusação de "propagação de uma agenda de secessão" com a intenção de "liderar uma guerra contra a Nigéria", segundo o Governo nigeriano.

A detenção de Kanu provocou uma vaga de protestos no sudeste da Nigéria, cujos apelos para a independência do Biafra têm sido feitos pelos representantes ma etnia Igbo, maioritária na região.

A cúpula dirigente de um outro grupo independentista local, o Movimento para a Obtenção de um Estado Soberano no Biafra (MASSOB), já saiu em defensa do IPOB, considerando que as alegações governamentais não são credíveis.

"As alegações (dos serviços secretos) não são credíveis, pois não foram apresentadas quaisquer provas", disse à agência France Presse Uchenna Madu, presidente do MASSOB, acusando as autoridades nigerianas de pretender fazê-los passar por "grupos terroristas".

A secessão do Biafra, sete anos depois da independência da Nigéria, desencadeou um conflito feroz de três anos (1967/70), que provocou mais de um milhão de mortos.

Grande parte das mortes deveu-se também à inexistência de cuidados médicos e sobretudo à fome que grassou na região.

Lusa