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Morreu o último sobrevivente do grupo que liderou a Revolução Cultural na China

O académico e político Qi Benyu, um dos principais propagandistas do Partido Comunista da China (PCC) durante a Revolução Cultural (1966-1976), uma década vista hoje como catastrófica, morreu na quarta-feira, em Xangai, com 85 anos.

Qi Benyu era o último sobrevivente do grupo que dirigiu a radical campanha política de massas, lançada pelo fundador da República Popular, Mao Zedong, cujo retrato na foto está afixado na praça de Tiananmen, em Pequim.

Qi Benyu era o último sobrevivente do grupo que dirigiu a radical campanha política de massas, lançada pelo fundador da República Popular, Mao Zedong, cujo retrato na foto está afixado na praça de Tiananmen, em Pequim.

© Damir Sagolj / Reuters

Qi era o último sobrevivente do grupo que dirigiu aquela radical campanha política de massas, lançada pelo fundador da República Popular, Mao Zedong, para "aprofundar a luta de classes sob a ditadura proletária".

Segundo recorda o jornal de Hong Kong South China Morning Post, Qi é considerado um dos responsáveis pela purga do então Presidente Liu Shaoqi, no início da Revolução Cultural.

Liu, que foi acusado de ser um reformista contrarrevolucionário, acabaria por ser recuperado por Mao.

Até há pouco tempo, Qi manteve e tornou públicos os seus pontos de vista sobre o melhor rumo para a China e apelou, inclusive, a uma reedição da Revolução Cultural, visando recuperar as raízes comunistas na política nacional.

A morte de Qi coincide com o próximo aniversário dos 50 anos desde o início daquele movimento político, a 16 de maio de 1966, que afetou toda uma geração de chineses.

As universidades, consideradas "antros revisionistas" foram encerradas e milhões de jovens urbanos enviados para o campo para "aprender com os camponeses".

Acusados de se afastarem da ortodoxia maoista, intelectuais e reformistas foram purgados e sujeitos a humilhações públicas.

Atualmente, aquele período é oficialmente qualificado por Pequim como "o maior erro da história do socialismo" na China.

O retrato de Mao continua, no entanto, afixado na Porta da Paz Tiananmen, no centro de Pequim, e o corpo, embalsamado, está exposto num mausoléu construído na imensa praça em frente.

A ascensão política de Qi, que morreu devido a um cancro, foi promovida por Jiang Qing, esposa de Mao, e um dos quatro membros do "Bando dos Quatro", considerados oficialmente como os últimos responsáveis pelas atrocidades cometidas durante a Revolução Cultural.

Jiang Qing seria mais tarde condenada à morte, pena posteriormente comutada em prisão perpétua, tendo acabado por suicidar-se.

Após formar-se na escola dos quadros da Liga da Juventude Comunista do PCC, em 1950, Qi integrou o escritório pessoal de Mao, tendo mais tarde sido promovido à direção-geral do Secretariado do Comité Central do PCC e à subdireção do jornal oficial "Bandeira Vermelha".

Este órgão foi um dos principais instrumentos de inspiração ideológica e de apoio político para a sua campanha "antirreformista" durante a Revolução Cultural.

Como secretário do escritório de Mao Zedong e assistente de confiança de Jiang Qing, Qi participou na elaboração da chamada "Notificação do 16 de maio", em 1966, que oficializou a tomada do poder pelo grupo de impulsionadores da radical campanha política de massas.

Aquele documento exigiu a expulsão imediata dos políticos mais moderados, como o secretário-geral do PCC em Pequim, Peng Zhen, e o responsável máximo pela polícia, Luo Ruiqing, marcando o início de uma década em que milhares de políticos e intelectuais foram purgados, presos ou enviados para campos de "reeducação pelo trabalho".

Lusa

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