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Eleições legislativas antecipadas na Sérvia

As cerca de 8.400 mesas de voto da Sérvia abriram hoje às 07:00 locais (5:00 em Lisboa) para as eleições legislativas antecipadas que, segundo todas as sondagens, o conservador SNS, no poder, vai ganhar.

Vojislav Sesel, líder do Partido Radical a votar esta manhã, em Belgrado.

Vojislav Sesel, líder do Partido Radical a votar esta manhã, em Belgrado.

© Marko Djurica / Reuters

O SNS, do atual primeiro-ministro Aleksandar Vucic, domina o cenário político sérvio e poderá repetir a maioria absoluta de março de 2014, quando elegeu 158 dos 250 deputados.

Os restantes partidos com possibilidades de ultrapassar a barreira obrigatória dos 5% para garantir representação parlamentar situam-se muito atrás.

No campo "pró-europeu", o SPS (centro-esquerda) surge com 11,5%, à frente dos Democratas (DS, centro-esquerda) e de uma coligação centrista-liberal em torno do ex-presidente Boris Tadic.

As eleições de hoje devem ainda confirmar o regresso ao parlamento do Partido Radical de Vojislav Seselj, (SRS, ultranacionalista, ausente em 2012 e 2014) e a estreia no hemiciclo da direita soberanista do DSS-Dveri, liderada por Bosko Obradovic, em conjunto creditados de 10% a 15%.

Uma viragem à direita num país confrontado com um desemprego perto dos 20%, cortes nas reformas e pensões, cortes na saúde e educação, aumento dos impostos, privatizações em série e com o campo radical "antieuropeu" a ganhar pontos.

Recentemente absolvido pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), Vojislav Seselj, 61 anos, arauto da "Grande Sérvia" no decurso das guerras jugoslavas da década de 1990 e que implicaram um prolongado isolamento internacional do país balcânico, empenhou-se durante a campanha a comparar o escrutínio a um referendo entre a União Europeia e a Rússia.

Na sequência da sua conversão ao pragmatismo e ao liberalismo, o primeiro-ministro insurgiu-se durante a campanha contra "os que pretendem fazer da Sérvia o leproso da Europa, um Estado pária na região e no mundo, fazendo-a deixar o caminho da Europa".

Após o início das conversações oficiais com Bruxelas em dezembro, na sequência e um acordo de "normalização de relações" com o Kosovo que permitiu oficializar a candidatura à UE, Vucic pretende com estas eleições garantir legitimidade reforçada para prosseguir as discussões de adesão.

Lusa