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Malária matou mais de mil pessoas em Angola nos dois primeiros meses do ano

Angola registou nos dois primeiros meses deste ano mais de mil mortes pela malária, em mais de 500 mil casos, informaram hoje as autoridades sanitárias do país.

Os municípios situados no litoral da província são os mais afetados.

Os municípios situados no litoral da província são os mais afetados.

© Andreea Campeanu / Reuters

Os dados foram avançados pelo diretor-adjunto do Programa Nacional de Controlo e Combate à Malária (PNCCM), Rafael Dimbu, que atribui o elevado índice de casos e óbitos ao intenso período chuvoso que Angola regista.

Segundo o responsável, os dados divulgados se referem a quase todo o país, faltando apenas algumas províncias "mas poucas".

Rafael Dimbu, que falava em declarações à rádio pública angolana por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Paludismo, disse que a participação dos cidadãos no combate à doença é importante, através de medidas preventivas.

"Os angolanos devem perceber que a malária não é um problema apenas do Governo, é preciso que as pessoas percebam que temos medidas preventivas para evitarmos a malária, é preciso que a gente use redes mosquiteiras, acabe com os charcos de água, para acabar com os mosquitos", referiu Rafael Dimbu.

Acrescentou que nos próximos meses, Angola poderá beneficiar de uma ajuda do Fundo Global de 38 milhões de dólares para o programa de combate à malária.

"A nossa relação com o Fundo Global está boa, apesar da nuvem negra que passou sobre nós, o Fundo Global ainda mantém a sua vontade de continuar a cooperar com Angola, tanto mais de que desde o ano passado escrevemos uma nova proposta para um novo financiamento e que felizmente a proposta passou, foi aceite", destacou o diretor-adjunto do PNCCM.

No mês passado, a imprensa local noticiou uma denúncia do Fundo Global sobre um inquérito que teria mandado instaurar a projetos financiados por si em Angola, tendo concluído que alegadamente houve "de forma deliberada o desvio de 4 milhões de dólares (3,5 milhões de euros) em fundos do programa da malária", que o Governo angolano teria já devolvido quase 3 milhões (2,6 milhões de euros).

"Esperamos que nos próximos dois meses, o Governo venha a assinar com o Fundo Global mais este financiamento. Estão disponibilizados para a malária, pelo menos, por volta de 38 milhões de dólares", avançou Rafael Dimbu, salientando que serão também apoiados programas virados ao combate do HIV/SIDA e da tuberculose.

O Fundo Global é um organismo internacional que apoia dos países em desenvolvimento nos esforços de combate às grandes endemias como a malária, tuberculose e HIV/SIDA.

Lusa

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