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Ex-comandante do "Costa Concordia" ausente do início do julgamento de recurso

O julgamento de recurso de Francesco Schettino começou hoje em Florença (Itália), mas sem a presença do ex-comandante do "Costa Concordia", condenado em primeira instância a 16 anos de prisão pelo naufrágio do paquete que fez 32 mortos.

© Max Rossi / Reuters

Schettino, apelidado pela imprensa italiana de "capitão cobarde", alegou "motivos pessoais" para justificar a ausência nesta primeira audiência, focada essencialmente nos procedimentos do julgamento.

O ex-comandante do navio de cruzeiro "Costa Concordia", que naufragou ao largo da ilha italiana de Giglio em janeiro de 2012, é o único acusado do processo.

Em fevereiro de 2015, Schettino, de 55 anos, foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por homicídio e abandono de navio.

O antigo comandante, que ainda não começou a cumprir a sentença, contestou a decisão do tribunal de primeira instância, argumentando que outros deveriam assumir a culpa pelo acidente.

Schettino argumenta que foi transformado num "bode expiatório" pelas autoridades e deseja reverter a condenação neste julgamento de recurso, que deverá prolongar-se, pelo menos, durante o mês de maio.

"Pedimos que sejam redefinidas as responsabilidades de todos os protagonistas deste caso, e não apenas do nosso cliente", afirmou, em declarações à agência francesa AFP, um dos dois advogados do ex-comandante, Donato Laino, que reclama a absolvição de Schettino.

Donato Laino defende a figura de "acidente organizacional", envolvendo desta forma a operadora de cruzeiros Costa, mas também os responsáveis do porto de Civitavecchia e o timoneiro indonésio do navio.

A acusação também recorreu da sentença de fevereiro de 2015. O representante do procurador de Florença, Giancarlo Ferrucci, pediu hoje um agravamento da pena de prisão, para 27 anos e três meses.

Na noite de 13 para 14 de janeiro de 2012, o "Costa Concordia" (grupo Carnival), um paquete de 114.500 toneladas, embateu contra rochas e encalhou ao largo da ilha de Giglio, na Toscana, com 4.229 pessoas a bordo, incluindo 3.200 turistas.

A decisão de Francesco Schettino de abandonar o navio, antes dos últimos passageiros, chocou a Itália e o mundo.

Durante o primeiro julgamento, Schettino alegou ter caído num bote salva-vidas que o levou para terra e que não conseguiu regressar ao paquete.

Os destroços do navio de cruzeiro, em parte submersos, só seriam retirados e rebocados em julho de 2014 para o porto de Génova para serem desmantelados.

Lusa

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