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Vaticano fecha 5 mil contas "suspeitas" do Instituto para as Obras da Religião

O Vaticano anunciou hoje o fecho de quase 5.000 contas "suspeitas" após a conclusão de uma vasta auditoria interna ao seu "banco", o Instituto para as Obras da Religião (IOR).

© Stefano Rellandini / Reuters

"Adotámos uma linha muito estrita face a todas as contas que não respeitavam" a legislação vaticana, declarou Tommaso di Ruzza, diretor da Autoridade de Informação Financeira (AIF) da Santa Sé, no decurso da apresentação do relatório 2015 da organização.

"Este procedimento está agora concluído e foram fechadas um total de 4.935 contas", acrescentou, ao explicar tratar-se de um "número definitivo".

A AIF é o organismo responsável pelo controlo dos movimentos financeiros da Santa Sé e pretende prevenir casos de "lavagem de dinheiro" ou financiamento do terrorismo.

Foi instituída pelo papa Bento XVI em dezembro de 2011 e o seu estatuto aprovado pelo papa Francisco em novembro de 2013 com o objetivo de estabelecer "normas em matéria de transparência, vigilância e informação financeira".

No passado, o IOR incluiu entre os seus clientes figuras da mafia, na origem de diversos escândalos durante a década de 1980. Mais de 30 anos depois, o Vaticano ainda desconhece a identidade de milhares de detentores de contas, com muitos a não possuírem qualquer relação aparente com a igreja e as suas atividades caritativas.

Num relatório emitido em dezembro, a Moneyval, um órgão do Conselho da Europa de combate ao branqueamento de capitais, considerou que o Vaticano tinha ultrapassado a maioria das suas fraquezas estruturais, e apelou a uma aceleração dos inquéritos pelo facto de ainda permanecerem pendentes diversos casos.

A AIF anunciou ainda hoje ter notificado durante 2015 um total de 544 operações financeiras suspeitas, quase quatro vezes mais que as 147 registadas no ano anterior.

O relatório anual das contas do Vaticano durante o exercício de 2015 refere que o sistema de vigilância registou 893 avisos de atividades suspeitas nos últimos três anos.

Em 2013 ocorreram 202 casos, em 2014 contabilizaram-se 147 e em 2015 registou-se uma importante subida nestas notificações, que quase quadruplicaram ao atingirem as 544.

Di Ruzza defendeu em comunicado que "o aumento dos avisos de atividades suspeitas não foi determinado por um maior número de potenciais atividades ilícitas" mas por outros fatores.

Entre eles, destacou a conclusão do procedimento de fecho das contas que não cumprem a legislação do Vaticano, as políticas adotadas pelas entidades de vigilância ou a monitorização dos beneficiários no âmbito de programas de colaboração voluntária em matéria fiscal efetuados por Estados estrangeiros.

Lusa

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