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Albinos do Malaui podem desaparecer devido a feitiçaria, alerta perita da ONU

Os 10.000 albinos do Malaui estão ameaçados de desaparecimento se continuarem a serem mortos por causa dos seus membros e ossos, utilizados em rituais de feitiçaria, alertou hoje uma especialista da ONU.

© Kena Betancur / Reuters

Os albinos são "um grupo em perigo, ameaçado de desaparecimento metódico se nada for feito para acabar com as atrocidades" de que são vítimas, disse Ikponwosa Ero numa conferência de imprensa em Lilongwe, no final da sua missão de 12 dias no Malaui, pequeno país da África Austral.

A situação dos albinos "constitui uma emergência, uma crise preocupante tendo em conta as suas proporções", adiantou.

A conferência de imprensa ocorreu no mesmo dia em que um tribunal do Malaui condenou a 17 anos de prisão dois homens detidos na semana passada pelo assassinato de uma mulher albina de 21 anos.

"Os dois homens declararam-se culpados", indicou à agência France Presse o porta-voz da polícia, Kondwani Kandiado.

Segundo a mesma fonte, Gerald Phiri, tio da vítima, e o seu cúmplice Medson Madzialenga afirmaram no tribunal que "acusavam Satanás pelo seu gesto" e que "pediam clemência".

Ikponwosa Ero, uma nigeriana albina e perita do Conselho dos Direitos Humanos sobre o assunto, afirmou que a polícia do Malaui registou 65 agressões, raptos ou assassínios de albinos desde o final de 2014.

Em vários países da África subsaariana os membros e ossos de albinos são utilizados por rituais que se acredita trazerem riqueza e poder.

Segundo a especialista, os albinos "nem sequer estão em paz quando estão mortos, pois os seus túmulos são profanados".

"O Malaui é um dos países mais pobres do mundo e a venda de órgãos de albinos parece muito lucrativa", assinalou, acrescentando que a "vontade política" de resolver o problema "tem falta de resultados".

O albinismo, doença genética hereditária que se traduz por uma ausência de pigmentação na pele, pelos e íris, afeta cerca de uma em cada 1.200 pessoas no Malaui.

Lusa

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