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Um milhão de assinaturas para travar venda de pesticidas Bayer que matam abelhas

Mais de um milhão de pessoas assinaram uma petição para incitar o gigante alemão da agroquímica e farmacêutica Bayer a parar a produção de pesticidas culpados de provocar o declínio de abelhas no mundo.

© Yorgos Karahalis / Reuters

"Matar abelhas não é realmente algo que uma empresa que quer seguir em frente deveria fazer," defende uma ativista da organização "Sum for Us", Anne Isakowitsch, citada pela agência France-Presse.

As abelhas ajudam a polinizar cerca de 80% das espécies de plantas florais. Sem elas, muitas frutas e muitos legumes não conseguem reproduzir-se, com consequências devastadoras na cadeia alimentar.

Anne Isakowitsch deslocou-se hoje até Colónia, Alemanha, para o encontro anual de acionistas da Bayer e apresentou à empresa uma petição com 1,4 milhões de assinaturas.

Os ativistas pedem ao gigante da indústria química para deixar de vender duas substâncias presentes em pesticidas - a clotianidina e a imidaclopride - e que provocam a morte das abelhas.

A União Europeia já decretou uma moratória sobre a venda dos dois químicos, classificados como neonicotinóides desde o final do ano de 2013, tal como o tiametoxame do gigante suíço Syngenta e o fipronil do germânico BASF.

As quatro substâncias, vendidas sob os nomes Gaucho, Poncho ou Cruiser continuam, no entanto, disponíveis no resto do mundo.

Os neonicotinóides são maioritariamente usados em sementes plantadas por agricultores e conseguem chegar ao néctar e ao pólen durante a floração.

O químico age no sistema nervoso central dos insetos interferindo com a transmissão de estímulos. Os neonicotinóides, podem deixar as abelhas desorientadas, impedindo-as de voltar às suas colmeias e diminui a resistência a doenças bem como a fertilidade.

A União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês) estima que um em cada quatro abelhões e, uma em dez abelhas melíferas, estão em risco de morte devido a esses químicos.

O grupo Bayer, que obteve 2,5 mil milhões de euros de lucros com a venda de inseticidas e de produtos fitossanitários em 2015, contesta, juntamente com a BASF e a Syngenta, as restrições impostas por Bruxelas.

Um porta-voz da Bayer defendeu, citado por agências internacionais, que "os neonicotinóides não são perigosos se forem usados corretamente," considerando que a morte das abelhas está ligada a outros fatores, como o clima, vírus e parasitas.

O presidente da Agência de Segurança Alimentar Europeia (EFSA, sigla em inglês), admitiu que o declínio da espécie deve-se a vários fatores mas que os quatro químicos colocam as abelhas sob um "risco inaceitável."

A EFSA ainda está a analisar os últimos dados científicos sobre o problema e pretende apresentar os seus resultados em 2017.

Para o conselheiro político em agricultura e engenharia da organização ecologista Greenpeace, Marco Contiero, "os resultados são tão claros que não vai ser simples a indústria conseguir ultrapassar as restrições".

A Greenpeace, defensora da retração de todos os produtos contendo neonicotinóides, diz ser preciso que a indústria invista em produtos alternativos sem químicos.

A pressão dos consumidores também já se faz sentir e a cadeia de supermercados Aldi prometeu não vender nenhum produto contendo neonicotinóides em Alemanha.

Lusa