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Desentendimentos e troça de colegas na origem de mortes em Cabo Verde

Um desentendimento com um colega que resultou em confrontos físicos seguidos de troça por parte de outros colegas terá estado na origem da morte de 11 pessoas num destacamento militar em Cabo Verde, segundo as Forças Armadas.

DULCENEIA RAMOS/ LUSA

Em conferência de imprensa hoje, na cidade da Praia, o Comandante da Guarda Nacional, coronel Jorge Martins Andrade, adiantou que esta conclusão resulta das primeiras investigações internas à morte de oito militares e três civis num posto militar, de que é principal suspeito Manuel António Silva Ribeiro, soldado do mesmo destacamento.

"Conclui-se que esteve na origem do ocorrido um desentendimento do soldado Ribeiro com um colega, que culminou com um confronto físico, donde saiu derrotado, ficando no posto de serviço em vez de outro, tendo sido alvo de gozo por parte dos restantes colegas", disse Jorge Andrade.

O responsável pela Guarda Nacional adiantou ainda que o soldado se considerou injustiçado e "ameaçou matar a todos, ameaça que não foi levada a sério pelos demais".

O suspeito das 11 mortes foi detido na quarta-feira e presente a Tribunal Militar na sexta-feira, aguardando julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional Militar.

De acordo com o mesmo responsável das Forças Armadas, que durante a conferência de imprensa traçou uma linha cronológica dos acontecimentos, os militares foram mortos pelo colega enquanto dormiam.

Na quarta-feira, o ministro da Administração Interna cabo-verdiana, Paulo Rocha, indicou que os corpos foram descobertos durante a manhã de terça-feira, mas adiantou que as mortes dos soldados terão ocorrido, cerca de 24 horas antes, entre as 09:30 e as 10:00 de segunda-feira.

Jorge Martins Andrade adiantou que o alerta foi dado à 3.ª Região Militar na terça-feira cerca das 10:30 por um técnico da empresa CV Telecom, que tem antenas de comunicações no local, que estranhou o facto de o destacamento estar sem militares.

Cada destacamento permanece uma semana no posto, sendo que este grupo deveria se rendido de Monte Txota na última quarta-feira.

A diferença temporal entre a suposta data das mortes e a altura em que foi dado o alerta levantou dúvidas sobre as rotinas de comunicação entre o posto e o comando.

De acordo com o comandante da 3.ª Região Militar, tenente-coronel Carlos Monteiro, a última tentativa de contacto por parte do comando foi na segunda-feira cerca das 18:00 locais (20:00 em Lisboa), não tendo, nessa altura, havido resposta por parte do posto militar.

Carlos Monteiro explicou que os postos militares têm vários meios de comunicação disponíveis e que a iniciativa do contacto diário pode ser feita quer pelo comando, quer pelo posto.

Admitiu, no entanto, que face à falta de resposta na segunda-feira, o oficial de serviço deveria ter insistido no contacto com o posto militar.

"A partir do momento em que no dia 25 de abril o oficial de dia não conseguiu estabelecer a comunicação às 18:00, se calhar deveria ter insistido mais em tentar falar com o comandante do destacamento. Deixou para o dia seguinte", adiantou o responsável militar, indicando que a investigação ainda está a decorrer.

Este caso está também a gerar um debate na sociedade cabo-verdiana em torno do funcionamento dos destacamentos e da existência de maus tratos aos militares, que o próprio suspeito terá alegado sofrer.

O Comandante da Guarda Nacional rejeitou as críticas sobre o mau funcionamento no posto militar, adiantando que há controlos regulares e de surpresa para avaliar o cumprimento das normas dos postos.

Sobre os maus tratos nas Forças Armadas, Jorge Andrade disse que é uma "prática condenável" e deu conta que havia casos esporádicos que aconteciam antes da tomada de posse do atual Chefe Estado Maior das Forças Armada, Alberto Fernandes, que produziu um despacho a proibir os castigos físicos excessivos nos comandos ou nas unidades militares.

Por seu lado, Carlos Monteiro considerou que quem está ao serviço militar "está sujeito a alguns sacrifícios que na vida civil não passa".

Carlos Monteiro, sob cujo comando estão os postos militares de Santiago, incluindo Monte Txota, disse que se mantém "sereno" e "tranquilo" no cargo à disposição do superior hierárquico.

Lusa

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