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Associações pedem fim de venda de galgos da Irlanda para corridas em Macau

Organizações de defesa dos animais pediram ao Governo da Irlanda para proibir a exportação de galgos para Macau, condenando a forma como estes cães são usados em corridas no território.

reuters

O apelo consta de uma carta dirigida ao ministro da Agricultura da Irlanda, Simon Coveny, e assinada pelos responsáveis de três organizações: as irlandesas SPCA e The Irish Blue Cross e a Dogs Trust, descrita no texto como "a maior" organização europeia de defesa do bem-estar dos cães.

As organizações dizem-se "seriamente preocupadas e desapontadas" com recentes notícias confirmadas de que foram vendidos galgos da irlanda para o canídromo de Macau, uma região da China com administração especial.

Existe em Macau um registo "bem documentado e deplorável" no que toca às condições em que correm os galgos e à forma como são tratados no Canídromo Yat Yuen, sublinham no mesmo texto.

As três organizações lembram que trabalharam com a indústria ligada aos galgos na Irlanda para subir os padrões de tratamento destes cães e que foi assinado em 2011 o "Welfare of Greyhounds Act", após "extensa consulta" entre os departamentos governamentais que tutelam esta área, a indústria e as associações de defesa dos animais.

Neste contexto, a exportação de galgos para Macau é "um enorme passo atrás", que contraria "a letra e o espírito" do documento assinado em 2011, consideram os signatários da carta, que dizem ser impossível controlar o tratamento dado aos galgos enviados para Macau.

As organizações sublinham também que o Irish Greyhound Board (uma comissão que regula as corridas de galgos na Irlanda) decidiu em 2011 excluir a China dos destinos de exportação de cães.

"Não deve haver exportação de galgos para jurisdições onde não existem condições de bem-estar [animal] equivalentes às da Irlanda", lê-se no texto dirigido ao ministro, com data de 28 de abril e tornado público pelas três organizações.

O canídromo de Macau tem motivado protestos internacionais, com organizações de todo o planeta a considerá-lo "o pior do mundo", denunciando que nenhum cão sai vivo daquele espaço.

Em novembro do ano passado, o Governo de Macau decidiu prolongar até dezembro de 2016 a licença para a exploração do canídromo à Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), que faz parte do universo da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), fundada por Stanley Ho.

A concessão de exploração do canídromo terminava em dezembro do ano passado e o Governo de Macau decidiu renová-la temporariamente, depois de pedir um estudo sobre esta matéria cujas conclusões só serão conhecidas dentro de meses.

Os galgos que correm em Macau eram maioritariamente importados da Austrália, que deixou de vender cães para o território no final do ano passado, na sequência da campanha internacional que denunciou as condições do canídromo, segundo as associações de defesa dos animais envolvidas.

Só há agora dois países que podem vender galgos ao canídromo de Macau: Inglaterra e Irlanda, segundo as mesmas organizações.

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