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Cientistas mantêm vivos embriões humanos in vitro durante tempo recorde

Cientistas conseguiram manter vivos embriões humanos, cultivados em laboratório, durante 13 dias, tempo para lá do período natural em que deveriam ter sido transferidos para o útero de uma mulher, revela hoje um estudo.

1997 - A UNESCO interdita a clonagem humana, estabelecendo critérios éticos para a investigação sobre o genoma humano e suas aplicações. Na imagem, embrião num primeiro estádio clonado em 2008.

1997 - A UNESCO interdita a clonagem humana, estabelecendo critérios éticos para a investigação sobre o genoma humano e suas aplicações. Na imagem, embrião num primeiro estádio clonado em 2008.

© Ho New / Reuters

Investigadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e Rockefeller, nos Estados Unidos, interromperam deliberadamente o crescimento dos embriões antes dos 14 dias permitidos pela legislação britânica para os estudar.

Os laboratórios costumam manter o desenvolvimento dos embriões, fecundados 'in vitro', durante sete dias antes de os transferir para o útero da mulher, para que possam sobreviver. Até agora, não tinham sido cultivados para lá dos nove dias.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature Cell Biology, a técnica usada pode melhorar os tratamentos de fertilidade, aprofundar as causas dos abortos involuntários e revolucionar o conhecimento sobre as primeiras etapas da vida humana.

Graças à técnica, os cientistas puderam estudar, pela primeira vez, a formação do epiblasto, a diminuta acumulação de células obtida aos dez dias de fecundação e que dará origem ao feto.

Para conseguir que os embriões continuassem a formar-se fora do útero materno, os investigadores conceberam um método químico que permitiu reproduzir o estado em que se encontrariam em condições naturais.

De acordo com o estudo, o método requer um meio rico em nutrientes e uma estrutura que possibilita ao embrião "implantar-se".

"O desenvolvimento embrionário é um processo extremamente complexo e, ainda que o nosso sistema, talvez, não possa reproduzir, por completo, todos os aspetos desse processo, permitiu revelar já uma capacidade importante de auto-organização dos blastocistos [embriões com cinco ou seis dias de vida], que, até agora, desconhecíamos", assinalou uma das autoras da investigação, Marta Shahbazi.

A principal causa dos abortos involuntários, nas primeiras fases da gravidez, por exemplo, é a incapacidade de alguns embriões implantarem-se no útero.

Em Portugal, é proibida a investigação científica com embriões humanos.

Lusa

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