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Vírus Ébola permanece até 12 meses no esperma de sobreviventes

O vírus Ébola mantém-se no esperma de sobreviventes à infeção até 12 meses após a sua cura, segundo um novo estudo realizado na Guiné-Conacri que confirma anteriores levados a cabo na Serra Leoa.

Espermatozóide humano.

Espermatozóide humano.

M-H Perrard

Neste estudo, publicado na revista médica Journal of Infectious Diseases, investigadores franceses e guineenses acompanharam durante um ano 450 doentes curados, nos quais efetuaram colheita de fluidos corporais (lágrimas, saliva, fezes, urina, fluidos vaginais e esperma).

Realizaram, mais precisamente, 98 recolhas de esperma em 68 homens. O vírus Ébola foi detetado em oito deles, passados nove meses sobre a sua cura.

Os investigadores demonstraram igualmente que a persistência do vírus no líquido seminal diminuía com o tempo: o vírus estava presente em 28,5% das amostras recolhidas entre o primeiro e o terceiro meses, em 16% das efetuadas entre o quarto e o sexto meses e em 6,5% daquelas cujas colheitas ocorreram entre o sétimo e o nono meses após terem sido declarados curados da infeção.

Entre o 10.º e o 12.º meses, o vírus já só estava presente em 3,5% das amostras, antes de desaparecer totalmente ao fim de um ano.

É a segunda vez que um estudo mostra que restos do vírus podem ficar durante um longo período de tempo no organismo das pessoas curadas, o que representa um perigo para os cônjuges, que poderão contaminar.

Um estudo realizado na Serra Leoa e publicado em outubro demonstrava já que perto de 26% dos homens cujo esperma fora testado entre sete e nove meses após a cura da infeção apresentava ainda resultado positivo para a presença do vírus.

O Ébola devastou três países da África Ocidental (Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri) desde o fim de 2013, infetando quase 25.000 pessoas e fazendo mais de 11.000 mortos.

Estes resultados "sublinham a necessidade de recomendar, ao nível internacional, a utilização de preservativos pelos sobreviventes nos meses seguintes à cura", defendeu hoje o Instituto de Investigação para o Desenvolvimento, que realizou o estudo na Guiné-Conacri em colaboração com o Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Investigação Médica francês) e o Instituto Pasteur.

Lusa