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Dezassete escolas incendiadas por manifestantes na África do Sul

Pelo menos 17 escolas foram incendiadas esta semana na África do Sul, durante violentas manifestações contra a redistribuição eleitoral dos municípios, a três meses de eleições autárquicas de alto risco para o Governo.

© Siphiwe Sibeko / Reuters

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"Até agora, 17 escolas sofreram danos (causados pelo fogo), duas delas ficaram completamente destruídas", declarou o porta-voz do ministério da Educação sul-africano, Elijah Mhlanga, citado pela agência de notícias francesa AFP.

A destruição destas escolas priva 26.000 alunos de aulas, precisou Mhlanga.

Segundo a polícia, além das 17 escolas incendiadas, outras cinco foram vandalizadas.

As manifestações começaram na segunda-feira à noite em três aldeias da província de Limpopo, no norte da África do Sul.

Os residentes das localidades opõem-se à associação das suas aldeias a uma nova metrópole, em consequência de uma redistribuição eleitoral com vista às eleições autárquicas de 03 de agosto no país.

Uma esquadra local, o gabinete de um líder tradicional e uma estação de correios foram igualmente incendiados na localidade de Vuwani, precisou o porta-voz da polícia, Malesela Ledwaba.

Os distúrbios estenderam-se em seguida às aldeias vizinhas de Levubu e Hlanganani.

Manifestantes bloquearam as ruas com pedras, pneus em chamas e barricadas construídas com tubos e barras de metal. Ninguém foi ainda detido.

Hoje, o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, condenou a violência, sugerindo que houve outras motivações por detrás destes estragos.

"É simplesmente chocante, não estamos a falar de uma escola ou duas, mas de 17 escolas! É suspeito e espero que o país preste atenção a isto", declarou Zuma no parlamento, numa referência implícita ao líder dos Combatentes pela Liberdade Económica (EFF), Julius Malema, originário daquela província.

No dia anterior, deputados do Partido Radical, na oposição, tinham sido expulsos do hemiciclo quando tentavam impedir o chefe de Estado de falar.

Julius Malema declarou no fim de abril, numa entrevista à Al-Jazira, que iria "em breve perder a paciência" e "fazer sair o Governo, de arma apontada".

A polícia afirmou hoje que a calma regressou à região de Limpopo.

Atos de violência deste tipo são cada vez mais frequentes na África do Sul em vésperas de eleições e estão muitas vezes ligados à ausência de serviços públicos nas zonas rurais.

Desta vez, os protestos violentos ocorreram a três meses das autárquicas, que funcionarão como um teste para o partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC).

Uma parte da população sul-africana considera que o ANC, no poder desde o fim do regime racista do apartheid em 1994, não fez o suficiente para combater as desigualdades no país.

Lusa

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