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Dhlakama gostaria de jantar com Marcelo mas está "impossibilitado"

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, gostaria de jantar e trocar impressões com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, mas está impossibilitado, disse à Lusa a chefe da bancada parlamentar do partido da oposição.

"Das razões que muito bem se sabe ele está na Gorongosa [centro] impossibilitado de poder estar aqui [Maputo] e cumprimentar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e isso cria algum constrangimento", afirmou Ivone Soares, acrescentado que a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) gostaria que o encontro acontecesse "não só pelo jantar em si mas para trocarem impressões".

A líder parlamentar e também sobrinha do presidente da Renano referia-se ao conflito entre o braço armado do seu partido e as forças do Governo na região centro do país e que mantém Dhlakama presumivelmente na região da Gorongosa desde o final de 2015.

"O presidente Dhlakama é um homem que de longa data sempre teve uma relação de muito afeto com os portugueses e com Portugal e sempre defendeu a amizade e fortificação das relações bilaterais", observou Ivone Soares, que falava à margem de uma visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao parlamento moçambicano.

Afonso Dhlakama consta da lista de convidados para o jantar que Marcelo Rebelo de Sousa oferece na sexta-feira em Maputo, tendo a SIC adiantado que o seu nome foi indicado para a lista de convidados pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Fontes diplomáticas confirmaram à Lusa que o líder da Renamo está entre os 50 convidados indicados pelo Governo de Moçambique para o jantar oferecido por Portugal, assim como o líder do terceiro partido da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango.

Para o jantar de sexta-feira, o último ponto de agenda da visita de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa a Moçambique, cabe a Portugal indicar os convidados portugueses e a Moçambique os convidados moçambicanos, disseram as mesmas fontes.

Contudo, uma dessas fontes desvalorizou a indicação do nome de Dhlakama, considerando que, por razões protocolares, o líder do maior partido da oposição teria de estar sempre na lista de convidados.

A Renamo não reconheceu o resultado das eleições de 2014, ganhas oficialmente pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e ameaça governar pela força nas seis províncias em que reclama vitória nas urnas.

A situação política e militar degradou-se acentuadamente nas últimas semanas, envolvendo confrontos entre Governo e Renamo.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido hoje em Maputo pela presidente da Assembleia da República de Moçambique, numa reunião em que estiveram representantes da Frelimo, mas também da Renamo e do MDM.

No final do encontro, Marcelo Rebelo de Sousa salientou essa presença, dirigindo-se para Verónica Macamo: "Vossa excelência quis estar acompanhada de representantes da Renamo, da Frelimo e do MDM, num sinal daquilo que verdadeiramente nós conhecemos também em Portugal, que é na nossa Assembleia da República termos representações de partidos que traduzem a vontade popular".

"A democracia constrói-se todos os dias. Não é uma construção fácil, mas é uma construção necessária, porque a pior das democracias é sempre melhor do que a melhor das ditaduras. E todos os dias se deve lutar para não haver a tentação de regressar à violência, à guerra, à divisão, à ditadura", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Lusa

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