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Empresários sul-coreanos recorrem contra fecho de complexo intercoreano

Os empresários sul-coreanos que estavam em Kaesong, complexo industrial intercoreano fechado desde fevereiro, apresentaram hoje um recurso na justiça contra a decisão do Governo de Seul de se retirar do projeto.

reuters

O grupo de empresários, que representa uma centena de firmas, afirma que a decisão de Seul viola o direito constitucional à propriedade.

A decisão de retirar de Kaesong - um dos últimos projetos de cooperação entre o Norte e o Sul - foi a resposta das autoridades sul-coreanas ao quarto ensaio nuclear norte-coreano e ao lançamento daquilo que Pyongyang afirmou ser um foguetão para colocar um satélite no espaço, mas que a comunidade internacional considerou tratar-se de um míssil de longo alcance.

O Governo de Pyongyang retaliou com a expulsão de todos os empresários e a apreensão dos bens sul-coreanos, incluindo matérias-primas, produtos acabados e equipamentos.

Cerca de 53 mil norte-coreanos trabalhavam em Kaesong em 124 firmas sul-coreanas, sobretudo na confeção, eletrónica e produção química.

As empresas sul-coreanas exigiram ao Governo o pagamento de cerca de 663 milhões de dólares (582 milhões de euros) em compensações e juros. No recurso, pediram ao tribunal constitucional que determine que as autoridades foram demasiado longe ao decidirem retirar-se do projeto.

"Sempre pedimos ao Governo do Norte para gerir Kaesong em conformidade com as regras de um Estado de direito, mas foi o nosso próprio Governo que violou o direito à propriedade ao tomar a súbita decisão de fechar (a zona) sem fundamento legal", acusou o grupo, em comunicado.

A zona de Kaesong, situada em território norte-coreano, nasceu no âmbito da "diplomacia raio de sol", desenvolvida por Seul de 1998 a 2008 e que visava encorajar os contactos entre os dois irmãos inimigos.

Em 12 anos, as sociedades sul-coreanas pagaram o equivalente a 560 milhões de dólares em salários às autoridades norte-coreanas que supervisionam os operários que trabalham em Kaesong.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-53 terminou com a assinatura de um armistício e não de um tratado de paz.

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