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Novo presidente da câmara de Londres afirma que não é um líder muçulmano

O novo presidente da câmara de Londres, o trabalhista Sadiq Khan, afirmou hoje que "não é um líder muçulmano ou um porta-voz dos muçulmanos", mas sim o representante de todos os londrinos.

© Hannah Mckay / Reuters

Sadiq Khan, filho de imigrantes paquistaneses, foi eleito na semana passada e entrou na história ao ser o primeiro muçulmano a presidir à câmara de uma grande capital ocidental.

"Vamos ser muito claros. Não sou um líder muçulmano ou um porta-voz dos muçulmanos. Sou o presidente da câmara de Londres. Falo por todos os londrinos", disse o político do Partido Trabalhista britânico (oposição) de 45 anos, numa conferência de imprensa hoje realizada na capital britânica.

Sadiq Khan acrescentou, no entanto, que a sua eleição provou "que é possível ser muçulmano e um ocidental".

"Os valores ocidentais são compatíveis com o Islão", reforçou.

Os últimos dados do recenseamento geral mostraram que 12,4% dos londrinos são muçulmanos, 48,4% são cristãos, 1,8% são judeus e 20,7% não têm credo religioso.

O novo autarca londrino reiterou as críticas contra o provável candidato presidencial republicano Donald Trump, que propôs proibir o acesso de muçulmanos aos Estados Unidos.

O político afirmou que o multibilionário é "um desconhecedor do Islão" e que está a alinhar com os extremistas.

Ainda sobre as eleições presidenciais norte-americanas, Sadiq Khan admitiu similaridades com Hillary Clinton, a candidata mais votada para a nomeação presidencial do Partido Democrata, afirmando que "não poderia imaginar uma melhor líder" para os Estados Unidos.

Comentando o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), agendado para 23 de junho, o autarca trabalhista afirmou que será "crucial para Londres permanecer na UE", indicando que "meio milhão de empregos estão diretamente dependentes" da ligação ao bloco europeu.

"É o assunto mais importante para a cidade nas próximas semanas", disse Sadiq Khan, que fará campanha pela manutenção britânica na UE, incluindo com o primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, "porque [o assunto] é mais importante que os partidos políticos".

Sadiq Khan, que anunciou a intenção de trabalhar com "os presidentes de câmara a nível mundial", revelou que a autarca de Paris, a socialista Anne Hidalgo, gracejou durante um encontro na terça-feira que em caso da saída britânica da UE (processo conhecido como 'Brexit') iria "estender o tapete vermelho para receber as empresas londrinas" na capital francesa.

Lusa

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