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Mais de 9.000 refugiados moçambicanos no Malaui aguardam transferência de campo

Mais de 9.000 refugiados moçambicanos no Malaui aguardam transferência para o campo reaberto de Luwani, no sudeste do país, para onde foram já levadas 439 pessoas desde que começou o processo de relocalização, informou a ONU.

(Arquivo)

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Reuters

Este processo foi anunciado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) a 15 de abril e visa transferir mais de dez mil requerentes de asilo de nacionalidade moçambicana que se encontram em campos de refugiados sobrelotados, a maioria na aldeia de Kapise, cerca de 100 quilómetros a sul da capital Lilongwe e perto da fronteira com Moçambique, mas também no distrito de Nsanje e em Chikwawa.

Para acolher os moçambicanos, o governo do Malaui reabriu no mês passado o campo de Luwani, que chegou a acolher mais de um milhão de refugiados moçambicanos durante a guerra civil de 1976-92, mas foi fechado em 2007 devido a falta de financiamento.

Citado recentemente no diário The Nation, do Malaui, o primeiro secretário do Ministério do Interior e Segurança Interna do país, Beston Chisamile, explicou que o executivo decidiu reabrir o campo na sequência de apelos do ACNUR e outras agências.

O apelo das agências humanitárias justificava-se com o facto de os moçambicanos se encontrarem em campos sobrelotados, em condições "desesperadas", como descreveu recentemente à rádio Deutche Welle a representante do ACNUR no Malaui, Monique Ekoko.

Em Kapise, por exemplo, mais de 10 mil pessoas amontoam-se num acampamento concebido para duas mil, segundo explicou a mesma responsável numa entrevista à rádio Voz da América.

O campo de Luwani, por seu lado, tem mais de 160 hectares e capacidade para acolher entre 20 e 30 mil pessoas. Além disso, os refugiados terão melhores instalações e serviços, incluindo saúde, educação, água e proteção, podendo ainda envolver-se em atividades de autossuficiência, como a agricultura, adianta o ANCUR.

Os primeiros 81 refugiados foram transferidos a 15 de abril de Nsanje, fazendo a viagem de 320 quilómetros até Luwani em autocarros.

Desde então, diz hoje o ACNUR, numa resposta por email à Lusa, 439 pessoas foram transportadas para o campo de Luwani desde Kapise, Nsanje e Chikwawa.

No entanto, mais de 9.620 refugiados estão ainda por transferir e o processo deverá continuar ao longo das próximas semanas, numa operação que envolve as autoridades do Malaui, assim como outras organizações humanitárias.

Segundo o ACNUR, a maioria dos refugiados moçambicanos manifestaram vontade em serem transferidos para Luwani, embora algumas famílias em Kapise prefiram não se mudar.

Os refugiados moçambicanos fugiram do país para o vizinho Malaui devido a confrontos entre as forças de defesa e segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido de oposição, no centro do país.

O afluxo de moçambicanos ao Maláui teve o seu pico em março, com 250 pessoas a atravessarem a fronteira todos os dias, e o ACNUR estima em mais de 11.500 o número total de refugiados moçambicanos atualmente no país.

Embora se registe uma redução do número de novas entradas em Kapise, onde se encontra a maioria dos refugiados moçambicanos, o ACNUR reconhece ter relatos de que os requerentes de asilo estarão a usar novas rotas para fugir ao forte policiamento na fronteira.

Nsanje, Chikwawa e Thambani serão algumas das novas rotas, mas o número de pessoas a percorrê-las não se conhece ao certo.

O governo do Malaui e as autoridades tradicionais locais terão registado mais 1.516 refugiados em Nsanje, Chikwawa e Thambani, mas o ACNUR ainda não registou formalmente estas pessoas, pelo que não confirma os números, explicou o ACNUR à Lusa.

Além disso, reconhece a organização das Nações Unidas, estes refugiados "não estão atualmente a receber assistência".

Moçambique vive uma crise política e militar caracterizada por confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Renamo e ataques em vários troços da principal estrada do país na região centro atribuídos ao movimento.

A crise foi desencadeada pela recusa da Renamo em reconhecer a derrota nas eleições gerais de 2014 e pela exigência do movimento em governar nas seis províncias onde ganhou nas eleições gerais daquele ano.

Lusa

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