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Governo moçambicano diz que há vestígios de crime no caso de corpos abandonados

O ministro do Interior de Moçambique afirmou hoje em Maputo que há vestígios de crime no caso de cadáveres descobertos ao abandono no centro do país, assinalando que, apesar de os corpos terem sido sepultados, as investigações vão continuar.

"Por mais que o objeto do crime não pareça estar visível, existem manifestações criminosas. A polícia pode fazer falar aqueles elementos que podem nos conduzir ao esclarecimento deste crime", declarou Basílio Monteiro, em declarações aos jornalistas, na Praça dos Heróis, à margem da cerimónia evocativa do Dia da Polícia da República de Moçambique, que se celebrou hoje em todo o país.

Basílio Monteiro acrescentou que o enterro dos corpos, ocorrido há mais de uma semana, não significa o encerramento das investigações, apontando que o trabalho da polícia vai continuar.

"O enterro dos corpos não significa o encerramento das investigações. O trabalho vai continuar e, na melhor ocasião, podemos ter mais informações sobre o caso", afirmou o ministro do Interior de Moçambique.

Jornalistas de vários órgãos de comunicação social, incluindo a Lusa, testemunharam e fotografaram, a 30 de abril, 15 corpos espalhados no mato, apontando a localização da descoberta como o distrito da Gorongosa, província de Sofala.

Uma semana mais tarde, o canal televisivo moçambicano STV mostrou 13 corpos em decomposição no distrito de Macossa, província de Manica, confirmando a existência de cadáveres abandonados junto à principal estrada do país.

As zonas apontadas quer pela Lusa quer agora pela STV ficam muito próximas, no limite das fronteiras entre os distritos de Gorongosa e Macossa e também entre as províncias de Sofala e Manica, e os corpos devem ser os mesmos.

Os corpos foram abandonados nas proximidades do local onde camponeses alegam ter observado uma vala comum com mais de 100 cadáveres, até ao momento desmentida pelas autoridades, e sem confirmação dos jornalistas, numa zona de forte presença militar, no quadro do conflito que se vive no centro do país.

Apesar de vários desmentidos, a descoberta de corpos abandonados e as denúncias dos camponeses levaram a Comissão Nacional de Direitos Humanos de Moçambique, instituição estatal, a pedir o "acesso incondicional" de entidades nacionais ou internacionais aos locais.

Na segunda-feira da semana passada, a Comissão Permanente da Assembleia da República de Moçambique anunciou o envio de uma delegação parlamentar para averiguar no terreno as denúncias de violação de direitos humanos no centro do país.

Por seu turno, a presidente da Liga dos Direitos Humanos (LDH) de Moçambique exigiu uma comissão internacional de inquérito liderada pelas Nações Unidas para investigar as valas comuns no centro do país, de que afirma ter fotografias, mas sem as mostrar, alegando que a investigação da sua organização ainda não está concluída.

O Escritório do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos afirmou estar em contacto com as autoridades moçambicanas para aceder à zona dos corpos abandonados.

Lusa

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