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Presidente moçambicano pede à Renamo para indicar equipa de diálogo de paz

O Presidente moçambicano pediu hoje ao líder da Renamo para indicar uma equipa visando o início do diálogo sobre a atual crise política e militar no país e afastou a existência de mediação nesta fase do processo.

© Carlo Allegri / Reuters

Em comunicado, o gabinete do chefe de Estado diz que a equipa a ser indicada pelo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, deve juntar-se à que foi nomeada em março por Filipe Nyusi para a preparação dos termos de referência dos pontos de diálogo político entre o Governo e o principal partido de oposição.

"O Chefe do Estado moçambicano defende que não haja mediação para a criação da comissão acima referida, pois a retomada do diálogo ocorrerá como resultado dos termos de referência a serem definidos pela equipa conjunta", lê-se no comunicado.

Contactado pela Lusa em Maputo, o porta-voz da Renamo confirmou a receção da carta, afirmando que o partido ainda vai analisar o pedido do chefe de Estado.

"Ainda vamos esmiuçar o seu conteúdo para poder dar uma resposta", afirmou António Muchanga.

O porta-voz da Renamo declarou que a carta de Filipe Nyusi é uma resposta ao pedido que o principal partido de oposição formulou a Filipe Nyusi em março, no sentido de aceitar o envolvimento da União Europeia, Igreja Católica e do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, como mediadores para o fim da crise política e militar em Moçambique.

As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo estão paralisadas há vários meses, depois de a Renamo se ter retirado do processo, alegando falta de progressos e de seriedade por parte do executivo.

Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre o braço militar da Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

O líder da Renamo está supostamente refugiado numa base na Gorongosa, província de Sofala, na sequência da invasão da sua casa na Beira, em outubro do ano passado pela polícia, alegadamente numa operação de recolha de armas, depois de a sua comitiva ter sofrido duas emboscadas no mês anterior na província de Manica.

Apesar da disponibilidade para negociar manifestada pelo Presidente moçambicano, o líder da Renamo disse no final do ano passado que só dialogará depois de tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o seu movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

O prazo autoimposto por Dhlakama para assumir o controlo daquelas províncias terminou no final de março sem nenhum resultado, embora persistam relatos de confrontações e também de emboscadas nas principais estradas da região centro, atribuídas pelas autoridades a homens armados da Renamo.

Numa carta dirigida a 5 de maio ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, Dhlakama deu conta da sua vontade de negociar a paz, mas reiterando que "as experiências e contribuições dos parceiros internacionais não sejam ignoradas ou inferiorizadas".

Durante a visita a Moçambique, no início de maio, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter registado as palavras de Filipe Nyusi sobre a paz em Moçambique e considerou que é preciso esperar para saber como e de que forma Portugal poderá ajudar a esse objetivo.

"Não é possível antecipar que tipo de ajuda. Os amigos devem estar sempre disponíveis para ajudar os seus amigos e só as circunstâncias dirão em concreto que tipo de ajuda, em que momento será necessário exercitá-la e qual é a forma de exercitação dessa ajuda", declarou.

Filipe Nyusi considerou, por seu lado, que é preciso dialogar com a Renamo sobre a crise política e militar que abala o país, antes de se falar de mediação internacional.

"Se chegarmos a um momento em que há um litígio, um antagonismo fatal em que as pessoas não se acreditam, então fica necessário dar o passo que está à altura", afirmou.

Lusa

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