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Violência homofóbica e transfóbica na educação é um problema global

Oitenta e cinco por cento dos estudantes homossexuais, bissexuais e transgénero (LGBT) são alvo de violência na escola e 45% dos alunos transgénero desistem, segundo um relatório da UNESCO hoje divulgado.

© Jose Cabezas / Reuters

A violência homofóbica atinge também 33% dos estudantes erradamente identificados como LGBT pelo facto de a sua aparência não estar de acordo com as normas de género.

Estas e outras conclusões constam do relatório "Out In The Open", o primeiro relatório global de sempre sobre as respostas do setor educativo à violência relacionada com a orientação sexual e identidade ou expressão de género.

Encomendado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para o Dia Internacional da Ação Contra Homofobia, Transfobia e Bifobia, o documento revela a natureza, a escala e o impacto da violência, o estado das respostas do setor educativo e recomendações para o futuro.

O relatório foi apresentado numa reunião internacional de ministros da Educação que hoje começou em Paris, numa iniciativa da UNESCO que prossegue na quarta-feira e que é o maior encontro alguma vez feito a este nível para abordar a violência homofóbica e transfóbica na educação.

Espera-se que os ministros lancem um Apelo para a Ação, para demonstrar o seu empenho em garantir o direito à educação de qualidade a todos os estudantes.

"Em 2015, na Cimeira das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, os líderes mundiais fizeram a promessa de fornecer educação inclusiva, igualitária e de qualidade para todos e de assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar de todos até 2030", recordou Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO.

"A UNESCO reconhece, contudo, que nenhum país pode atingir tal objetivo enquanto houver estudantes discriminados ou vítimas de violência, incluindo 'bullying', devido à sua real ou aparente orientação sexual ou identidade de género", acrescentou.

Embora o relatório não tenha informação de todos os países do mundo, a conclusão é a de que a violência homofóbica e transfóbica tem um impacto significativo não só na educação dos estudantes, como nas perspetivas de emprego, saúde e bem-estar.

Na China, 59% dos LGBT inquiridos numa sondagem disseram que o 'bullying' afetou de forma negativa o seu desempenho académico, enquanto na Austrália houve uma maior correlação entre a vitimização e a falta de concentração nas aulas, notas mais baixas e assiduidade nos jovens transgénero.

A violência homofóbica e transfóbica está igualmente associada a uma saúde física e mental pior que a média, com riscos acrescidos de ansiedade, pânico, depressão, automutilação e suicídio.

Estudos da Bélgica, da Holanda, da Polónia e dos Estados Unidos sugerem que é entre duas e cinco vezes mais provável que os estudantes LGBT e os jovens em geral considerem ou tentem o suicídio que os seus pares heterossexuais.

A UNESCO recomenda que a resposta do setor educativo assente nos direitos e seja centrada na aprendizagem, inclusiva, participativa, sensível ao género, assente em evidências, apropriada à idade, adequada ao contexto e sensível à cultura.

Lusa

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