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ONG egípcias pedem libertação de ativistas presos e em greve de fome

Organizações não governamentais (ONG) egípcias pediram hoje a libertação imediata de 47 jovens e ativistas presos por violarem a lei sobre manifestações, com dez a cumprir uma greve de fome em protesto pela sua detenção.

(Arquivo/Reuters)

(Arquivo/Reuters)

© Stephen Lam / Reuters

O texto, subscrito pela Iniciativa egípcia para os direitos pessoas e a Rede árabe para a informação de direitos humanos, e ainda outras nove organizações, alerta para a situação dos manifestantes condenados ou em prisão preventiva por terem participado em protestos em meados de abril contra a cedência à Arábia Saudita pelo Governo egípcio de duas ilhas do Mar Vermelho.

"Estes jovens têm direito a um julgamento justo, não politizado e no marco do respeito pela Constituição e os tratados internacionais que o Egito subscreveu sobre a liberdade de expressão e direito a manifestação pacífica", ressalva o comunicado.

Pelo menos dez dos 47 detidos iniciaram na quarta-feira uma greve de fome, à qual vão aderir os restantes presos "em repúdio pelas duras e injustas condenações a cinco anos de prisão, com a esperança de que essas sentenças sejam revogadas", acrescentam as ONG.

Em 14 de maio, um tribunal egípcio condenou 101 pessoas a cinco anos de prisão por violação da lei de manifestações e obstáculo ao tráfico durante as manifestações que se prolongaram por vários dias em protesto contra a cedência das duas ilhas.

Outras 51 pessoas foram condenadas em simultâneo a dois anos de prisão e trabalhos forçados pelas mesmas acusações, em processos céleres, com as sentenças a serem anunciadas na segunda sessão, e "injustos", de acordo com as ONG, que na sua petição pedem a libertação de todos os detidos.

Ao desafiarem o risco de serem condenados a vários anos de prisão, a pena estipulada pela draconiana lei de dezembro de 2013 contra as manifestações ilegais, milhares de pessoas concentraram-se em 15 de abril no centro do Cairo e em Alexandria para denunciar a cedência das duas ilhas estratégicas aos sauditas.

A concentração, dispersada com cargas policiais e gás lacrimogéneo, foi o mais importante protesto contra o governo do presidente Abdel Fatah al-Sisi dos últimos dois anos, e confirmou o declínio da sua popularidade. Pelo menos 119 pessoas foram detidas na ocasião.

No dia 25 de abril, algumas dezenas de ativistas de formações laicas e de esquerda voltaram a manifestar-se, apesar das vagas de detenções em massa que antecederam este protesto.

Lusa

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