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Extrema-direita entra pela primeira vez no Parlamento de Chipre

Uma abstenção recorde nas legislativas de hoje em Chipre deu origem a um parlamento muito fragmentado, com a entrada pela primeira vez de um partido de extrema-direita após três anos de crise económica e diversos escândalos de corrupção.

KATIA CHRISTODOULOU

Os resultados definitivos deram a vitória à União Democrática (Disy, direita), partido no poder e a primeira formação no anterior hemiciclo, com 30% dos votos.

Numa assembleia muito fragmentada, a extrema-direita da Frente nacional popular (Elam) obteve pela primeira vez desde a independência da República de Chipre do jugo britânico, em 1960, representação parlamentar.

O Elam defende o golpe de Estado nacionalista de 1974, apoiado pela então junta militar de extrema-direita no poder em Atenas e que pretendia a união da ilha à Grécia, a justificação para a invasão do norte da ilha pela Turquia. Obteve 3,7% dos votos, assegurando dois deputados.

O Partido progressista do povo trabalhador (Akel, comunista, principal força da oposição), recolheu 25%, um recuo de 7% face às anteriores eleições.

Segundo os responsáveis do sufrágio, apenas votaram 67% dos cerca de 500.000 eleitores, uma taxa de abstenção recorde num país onde o voto é teoricamente obrigatório, contra 21% nas últimas legislativas de 2011.

A elevada abstenção favoreceu a entrada no parlamento de pequenas formações, e oito partidos vão agora partilhar os 56 lugares da assembleia, mais três que os representados até ao momento.

O Presidente Nicos Anastasiades, cujo Governo de direita negociou em 2013 um plano de resgate internacional em plena crise económica, manifestou "inquietação" pela elevada abstenção, logo após o anúncio dos resultados.

Ao não comparecerem às urnas, muitos eleitores terão optado por protestar contra uma série de escândalos de corrupção que atingiram o funcionalismo público e responsáveis políticos. As dificuldades económicas e sociais, associadas ao plano de resgate após a crise de 2013 também cristalizaram o descontentamento, mesmo que o crescimento tenha regressado nos últimos meses.

No entanto, os resultados não deverão ter impacto nas negociações sobre a reunificação da ilha do Mediterrâneo oriental, dividida em duas entidades desde 1974: a República de Chipre, Estado-membro da União Europeia (UE) e da zona euro, e a autoproclamada República turca de Chipre do Norte (RTCN), apenas reconhecida por Ancara.

Os dirigentes das duas partes da ilha relançaram as conversações em maio de 2015 e intensificaram o diálogo a partir de novembro, com o apoio da ONU, UE e Estados Unidos, com o objetivo de formar um Estado federal.

Lusa

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