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Cameron alerta que eventual saída do Reino Unido da UE vai levar à recessão

O primeiro-ministro britânico advertiu hoje que o Reino Unido irá mergulhar numa recessão caso o voto a favor do Brexit, como é conhecida a saída britânica da União Europeia (UE), vença o referendo de 23 de junho.

David Cameron, primeiro-ministro britânico.

David Cameron, primeiro-ministro britânico.

Dylan Martinez

A um mês da consulta pública, David Cameron acompanhou o ministro britânico das Finanças George Osborne, que hoje apresentou uma nova análise do Departamento do Tesouro britânico sobre os cenários provocados pela eventual saída britânica do bloco comunitário, numa visita a uma empresa de bricolagem no sul de Inglaterra.

Durante a visita, o primeiro-ministro britânico insistiu que o voto na saída da UE será a "opção da autodestruição", enquanto a opção "ética" será votar a favor da permanência britânica.

"Como o Banco de Inglaterra disse, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sublinhou e o Tesouro agora confirma, o impacto na nossa economia da saída da Europa levará o país à recessão", declarou Cameron.

"Poderia ser, pela primeira vez na história, uma recessão criada por nós próprios", salientou o primeiro-ministro britânico durante a visita à empresa de bricolagem, insistindo que "seria efetivamente uma recessão de fabrico próprio".

George Osborne corroborou as declarações de Cameron, ao detalhar algumas informações do novo relatório do Tesouro britânico, que analisou os efeitos do 'Brexit' num período de dois anos, até 2018.

Perante um cenário mais "prudente", em que o Reino Unido sai da UE mas negoceia um novo tratado comercial com o bloco europeu, o documento aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico poderá contrair em 3,6 %, o que iria mergulhar o país numa recessão e implicar a perda de 520 mil empregos.

Ainda dentro deste cenário, a inflação também irá disparar e os preços das casas poderão cair em 10%, com um aumento da dívida estatal de 24.000 milhões de libras (cerca de 31.000 milhões de euros).

As previsões são mais graves perante um cenário de "grande impacto", em que o país sai da UE e do mercado único, e assume unicamente as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Neste cenário, e segundo o documento do Departamento do Tesouro, o PIB britânico poderá recuar até 6%, registando-se um efeito ainda maior na inflação e nos preços dos imóveis (uma quebra de 18%).

Perante o mesmo cenário, cerca de 820 mil postos de trabalhos ficariam comprometidos e o aumento da dívida pública rondaria os 39 milhões de libras (cerca de 50.000 milhões de euros).

O ministro das Finanças britânico avisou hoje contra as ações que podem colocar em causa os avanços que foram alcançados para superar a recessão gerada pela crise global em 2008, a primeira para o Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

"Quando falta exatamente um mês para o referendo, o povo britânico deve fazer esta pergunta: podemos votar em consciência para uma recessão?", afirmou George Osborne.

"O Reino Unido quer realmente esta recessão de fabrico próprio? Porque as provas mostram o que vamos ter se deixarmos a UE", insistiu o ministro.

Após a publicação do documento do Tesouro britânico, a campanha a favor do 'Brexit' afirmou que o relatório "não é uma análise honesta".

"O Tesouro errou repetidamente nas suas previsões no passado. Este documento do Tesouro não é uma análise honesta, mas um ponto de vista profundamente preconceituoso sobre o futuro e ninguém deve acreditar", disse o ex-ministro do Trabalho e Pensões Iain Duncan Smith.

Duncan Smith argumentou que o país "entrega 350 milhões de libras (cerca de 453 milhões de euros) por semana à UE" e que poderá, caso a saída britânica se concretizar, "recuperar o controlo sobre o dinheiro e utilizar o montante para ajudar as pessoas no Reino Unido".

Lusa

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