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Paulo Portas diz que embargo a Cuba "é um erro desde o primeiro dia"

O ex-vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, considerou num debate em Lisboa em torno dos desafios da região do Atlântico que o embargo a Cuba é um erro e que Marrocos permanece um Estado decisivo para a segurança europeia.

"O que o Presidente (dos EUA) Obama fez em relação a Cuba já os Estados Unidos deviam ter feito há muito tempo. O embargo (a Cuba) é um erro desde o seu primeiro dia. Não estou a ter qualquer posição esquerdista, limito-me a seguir a posição de Estados muito respeitáveis, o primeiro dos quais a Santa Sé", afirmou no decurso de um debate com o lema "Reforço do alinhamento atlântico de Portugal", no âmbito do V Encontro "Triângulo Estratégico: América Latina-Europa-África" que decorre hoje e terça-feira em Lisboa.

Num painel onde também intervieram o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Francisco Seixas da Costa, o investigador do IPRI e do Center for Transatlantic Relations da universidade John Hopkins, Bernardo Pires de Lima, e o conselheiro de Estado Luis Marques Mendes, o também ex-ministro dos Negócios Estrangeiros começou por destacar a importância de Marrocos, "exemplo de estabilidade política e integração social".

"O relacionamento de Portugal com Marrocos é determinante para a nossa segurança, e é um dos Estados relevantes para a segurança da Europa (...) e em plena crise de migrações o que foi obtido foi uma das gestões mais bem-sucedidas dos fluxos migratórios", assinalou Paulo Portas.

O ex-chefe da diplomacia participou no primeiro dia de sessão dos V Encontros, uma iniciativa do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL) e da Abreu Advogados, para além de diversos parceiros, e que contou na sessão de abertura com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa abordagem com um pendor menos institucional face à situação internacional e aos desafios no Atlântico e Mediterrâneo, e após reforçar a importância de Marrocos para a segurança do país, considerou que os órgãos de soberania portugueses "não devem envolver-se em questões ainda abertas e que em nome da prudência e do bom senso não seria bom para Portugal ter excesso de opiniões sobre a matéria".

A importância de Portugal manter "relações especialmente cuidadosas com os Estados soberanos de língua portuguesa, as relações particulares com o Brasil, de "pensar no Brasil" mas também nos restantes países "de origem hispânica" foram outros aspetos assinalados, com alguns recados.

"Qualquer atitude de arrogância intelectual de imposição de modelos é a pior forma de relacionamento com a América Latina", disse.

As relações Europa-Estados Unidos, a importância do Atlântico e Mediterrâneo para a segurança global ou as mudanças internas nos EUA com a "institucionalização da influência latina" e o desafio as presidenciais no novembro foram também referidos, à semelhança de outras intervenções.

O embaixador Seixas da Costa mostrou-se no entanto particularmente crítico face à política externa do Presidente norte-americano ao considerar "que o mundo não está mais seguro depois de Obama", antes de definir a sua política externa como "medíocre" e após pugnar pela necessidade de a União Europeia (UE) "recuperar a dimensão relações externas".

"Não sabemos o que vem da política externa dos EUA", frisou, numa alusão aos dois candidatos que se preparam para disputar as presidenciais de novembro.

Sobre Portugal, Seixas da Costa considerou que o mar constitui hoje "o último reduto da soberania portuguesa, a última reserva de soberania de Portugal que tem de ser preservada", disse.

Uma opinião parcialmente partilhada por Bernardo Pires de Lima, que antes das intervenções apresentou o seu livro "Portugal e o Atlântico".

"Procuro inverter uma certa tendência do discurso para o declínio fatalista do Atlântico e uma ascensão imparável e determinista do Pacífico, disse em declarações à Lusa.

"Existem muito mais questões em torno do tema da estabilidade, no potencial do Atlântico, que não estão no debate (relacionado com a emergência do Pacífico). É isso que procuro trazer e também trarei algumas visões nacionais, de interesse nacional, onde Portugal quer no domínio público ou privado, pode fazer mais", acrescentou.

Lusa

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