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Poluição provoca mais mortes prematuras do que os conflitos armados

A poluição e a degradação das condições ambientais são responsáveis por 12,6 milhões de mortes prematuras por ano, um valor 234 vezes superior ao número de mortes provocado pelos conflitos armados no mundo (mais de cinco mil).

© Paulo Santos / Reuters

A informação consta de um relatório hoje apresentado na abertura da II Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-2), a instituição mais importante a nível mundial em questões ambientais que está reunida esta semana em Nairobi, Quénia.

"As nossas economias matam muitas pessoas em nome do desenvolvimento, uma em cada quatro ou cinco mortes prematuras são provocadas por nós. É o que se chama massacre ou assassínio", afirmou o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner.

De acordo com o estudo, intitulado "Meio ambiente saudável, pessoas saudáveis", mais de 25% das mortes de crianças com menos de cinco anos e 23% das mortes registadas anualmente estão relacionadas com a deterioração das condições ambientais.

A maior parte destas mortes regista-se no sudeste asiático e na zona oeste do Pacífico, com 28% e 27% do número total de mortes, respetivamente.

Na África subsaariana, os dados apontam que 23% das mortes registadas nesta região estão relacionadas com a poluição, enquanto no Mediterrâneo oriental o número situa-se nos 22%.

Tanto na Europa, como no continente americano, a degradação das condições ambientais é responsável por 15% dos óbitos.

Segundo o mesmo documento, uma das provas que demonstram a ligação cada vez mais estreita entre o ambiente e a saúde pública é o aumento das doenças não transmissíveis ou crónicas, que matam 38 milhões de pessoas por ano, das quais 75% em países de baixos e médios rendimentos.

A poluição do meio ambiente -- na origem de muitas doenças respiratórias -- mata anualmente sete milhões de pessoas, das quais 4,3 milhões vivem em países em desenvolvimento com más condições de vida.

O aumento das doenças crónicas foi uma das razões que levou a UNEA a concentrar esforços neste momento na saúde da população mundial: "Temos de averiguar porque o meio ambiente é um grande problema para a saúde humana", sublinhou hoje a diretora científica do PNUMA, Jacqueline Mcglade.

As zoonoses (todas as doenças transmissíveis de forma natural dos animais vertebrados para o homem e vice-versa), como o Ébola ou o Zika, representam já 60% de todas as doenças que afetam os humanos.

O tráfico ilegal de animais é uma das razões pela qual estas doenças estão a ganhar maior relevo.

A falta de acesso a água potável e a sistemas de saneamento mata por ano 842 mil pessoas por diarreia, especialmente nos países mais pobres, e a exposição a substâncias químicas tóxicas provocam 654 mil mortes.

Nos últimos 20 anos, mais de 600 mil pessoas morreram na sequência de desastres naturais.

Com delegados de 173 países, a UNEA-2 vai debater esta semana em Nairobi a concretização das medidas previstas na Agenda 2030, que abrange os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o recente Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas (COP21).

Lusa

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