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Polónia abate árvores em área classificada como Património Mundial pela UNESCO

A Polónia procedeu esta terça-feira ao abate das primeiras árvores na floresta de Bialowieza, apesar dos protestos de grupos ambientais que querem salvaguardar a área, classificada como Património Mundial pela UNESCO.

© Peter Andrews / Reuters

O início do abate foi confirmado pelo diretor-geral das Florestas, Konrad Tomaszewski, que justificou a iniciativa com o arranque do plano de exploração de madeira em zonas não protegidas.

Segundo Konrad Tomaszewski, o objetivo é "travar a degradação florestal" e proteger os visitantes do risco de queda de árvores, com o combate à infestação do inseto 'Ips typographus' detetada pelo Ministério do Ambiente.

Opinião contrária têm os ativistas ambientais, que alertam para os efeitos da destruição de um ecossistema intacto há mais de 10.000 anos e que alberga as maiores árvores e o maior mamífero da Europa, o bisonte-europeu.

"Apelamos à Comissão Europeia que intervenha antes que o governo polaco permita a destruição irreversível da floresta de Bialowieza", disse a ativista Katarzyna Jagiello, da representação do Greenpeace na Polónia.

Os ativistas não consideram a presença do inseto como uma justificação viável para o corte das árvores.

"O ministro não percebe que o inseto é um visitante frequente e natural, que sempre existiu e com o qual a floresta conseguiu sobreviver", disse Katarzyna Jagiello à agência francesa AFP.

O Ministério do Ambiente garantiu que os trabalhadores florestais vão cortar nos próximos 10 anos mais de 180.000 metros cúbicos de madeira, nas áreas não protegidas da floresta, um aumento substancial relativamente ao anterior plano, que previa o abate de 40.000 metros cúbicos.

Apesar do Ministério ter dito que a operação pretendia proteger áreas que fazem parte da rede europeia Natura 2000 - que tenta preservar as espécies e os habitats mais ameaçados da Europa -, as organizações sem fins lucrativos manifestaram-se "admiradas por Jan Szyzko (ministro do Ambiente) invocar legislação da União Europeia para justificar o abate das árvores".

"A decisão de multiplicar os abates de árvores não é compatível com a legislação europeia porque não foi precedida por um estudo de impacto ambiental para as espécies e para as áreas protegidas", considerou Agata Szafraniuk, da organização não-governamental ClientEarth.

Bialowieza, Património Mundial desde 1979, cobre cerca de 150 mil hectares na Polónia e Bielorrússia e acolhe 20 mil espécies animais.

O projeto para Bialowieza é a última ação do governo de direita que desencadeou a polémica na Polónia e no estrangeiro.

Uma delegação da UNESCO deve visitar Bialowieza entre os dias 4 e 8 de junho para avaliar a situação.

Lusa

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